Publicado por: sidnei walter john | 22 de novembro de 2016

Evangelho do dia 24 de novembro quinta feira


24 novembro – Quem não sabe submeter seu ponto de vista e deixar-se guiar, muitas vezes errará e cairá miseravelmente; e, por causa da teimosia em não se reconhecer culpado, o demônio não permitirá que se arrependa e, de abismo em abismo, o levará à perdição. (S 358). São Jose Marello

24-nov-lucas-21-20-28Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 21,20-28

 – Quando vocês virem a cidade de Jerusalém cercada por exércitos, fiquem sabendo que logo ela será destruída. Então, os que estiverem na região da Judéia, que fujam para os montes. Quem estiver na cidade, que saia logo. E quem estiver no campo, que não entre na cidade. Porque aqueles dias serão os “Dias do Castigo”, e neles acontecerá tudo o que as Escrituras Sagradas dizem. Ai das mulheres grávidas e das mães que ainda estiverem amamentando naqueles dias! Porque virá sobre a terra uma grande aflição, e cairá sobre esta gente um terrível castigo de Deus. Muitos serão mortos à espada, e outros serão levados como prisioneiros para todos os países do mundo. E os não-judeus conquistarão Jerusalém, até que termine o tempo de eles fazerem isso.
E Jesus continuou:
– Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. E, na terra, todas as nações ficarão desesperadas, com medo do terrível barulho do mar e das ondas. Em todo o mundo muitas pessoas desmaiarão de terror ao pensarem no que vai acontecer, pois os poderes do espaço serão abalados. Então o Filho do Homem aparecerá descendo numa nuvem, com poder e grande glória. Quando essas coisas começarem a acontecer, fiquem firmes e de cabeça erguida, pois logo vocês serão salvos.
”  


1º Meditação:

 Lucas escreve seu evangelho na década de oitenta, cerca de dez anos após Jerusalém ter sido destruída e seu texto inspira-se no fato já acontecido.

 Historicamente, a cidade de Jerusalém caiu e o Templo foi destruído pelas tropas do general romano Tito,  na guerra do ano 70.

 O evangelista parte deste fato impactante, reinterpreta-o como um momento determinado por Deus na história da salvação.

 É um momento que marca o fim de uma época e o começo de outra: entre a queda de Jerusalém e a chegada da Parusia, Lucas introduz a época da missão.

Desta maneira, exorta os cristãos a não perder o contato com a realidade histórica enquanto esperam a segunda vinda do Salvador.

 Com acontecimentos e símbolos cósmicos, Lucas destaca a importância da chegada do Filho do Homem. Os cristãos devem aguardar este momento em atitude de expectativa gozosa.

Como em outros tempos, também hoje vivemos em um ambiente impregnado de idéias que provém de correntes catastróficas.

 A situação fragilizada do meio ambiente, de guerras, de novas doenças, etc., tudo isso pode transmitir desespero e pessimismo em relação a um futuro próximo.

 Mais do terror em vista do fim, o texto nos convida a uma atitude de otimismo e esperança, além de trabalhar com dedicação e empenho pelo estabelecimento do Reino entre nós.

A vinda do Filho do Homem é a libertação e o restabelecimento do humano e da vida, no que se manifesta a glória de Deus.

Estamos chegando ao tempo do Advento, tempo de espera e arrependimento. Ocasião propicia para que estejamos conscientes das nossas ações e atentos (as) ao que podem significar as coisas que acontecem ao nosso redor.

Jesus nos adverte dos fenômenos que acontecerão no mundo e com as pessoas antes da Sua vinda gloriosa. Se prestarmos atenção, muitos sinais já se fazem notar hoje, no mundo.

A maioria das pessoas se apavora quando ouve falar desses prognósticos, porém, os que têm a percepção dos ensinamentos evangélicos, compreendem que as palavras de Jesus vêm nos edificar e nos ajudam a manter a esperança na nossa libertação.

O mundo à nossa volta se angustia e sofre, realmente, como a mulher nas dores do parto, no entanto, isto é prenúncio de libertação.

Jesus mesmo nos esclarece quando diz: “Quando essas coisas começarem a acontecer, fiquem firmes e de cabeça erguida, pois logo vocês serão salvos.”.

Jesus já veio como homem e chegou para nós por meio do seio de Maria, se entregou por nós, foi crucificado, morto e ressuscitado para a nossa Salvação.

Não podemos mudar os prognósticos de Jesus, todos esses fatos já estão acontecendo. Porém, nas vésperas de mais um Natal nós podemos assumir o nosso posto de guardiões da fé sem temor, na certeza de que o tempo da libertação se aproxima e deixando que o Natal de Jesus aconteça primeiro no nosso coração.

 1º Reflexão Apostólica:

 Ontem enfatizávamos o LEVANTAR e CONTINUAR e hoje, após uma mensagem tão direta sobre o futuro do povo de Jerusalém, Ele diz para eles e para nós “(…) FIQUEM FIRMES E DE CABEÇA ERGUIDA, POIS LOGO VOCÊS SERÃO SALVOS”. Além de nós, quem hoje precisaria ouvir essa mensagem?

 Refletíamos essa semana do medo do futuro, da nossa facilidade em conjugar na prática verbos no futuro e no gerúndio e do nosso empenho pessoal (ou a falta dele).

 Hoje, às portas do Advento, momento propício para reconciliação, a escuta e principalmente da auto-reflexão, Jesus nos chama como missionários a buscar a ovelha perdida, a procurar aquele que se perdeu, aquele (a) que se esqueceu que é amado (a)… Quem é a primeira pessoa nesse perfil que vem a nosso pensamento?

 Talvez venha em nosso pensamento pessoas doentes então VISITE; talvez uma pessoa que passa por uma dificuldade, então ENCORAJE-A, PROPONHA. Se no seu pensamento veio uma pessoa muito querida que passou por uma perda ou se perdeu, ACOLHA-A, ACONSELHE-A, MOVA-SE.

 Por trás de passagens tão apocalípticas Jesus apresenta uma mensagem que denota sempre um recomeço.

 Esse novo START é dado a partir de uma atitude, uma fagulha, uma faísca dentro de cada um de nós.

 Nossa vida tende à INÉRCIA se não ficarmos a monitorando. Se fosse de nossa própria vontade, ao chegar cansados do trabalho, tomaríamos um banho e relaxaríamos (até dormiríamos) no sofá. Porém, algo nos inquieta, um coração pulsa; um pensamento caridoso nos “incomoda”.

Essa fagulha gerada pelo Espírito Santo nos levanta e nos lança ao desconhecido, longe da nossa zona de conforto, no entanto mais próximo daqueles que realmente precisam.

 Como explicar o empenho de um casal no interior de Sergipe que tem cerca de 30 filhos adotivos? Como entender a olhos humanos o gesto de João Paulo II ao ir à prisão e perdoar aquele que desejou sua morte mesmo ainda sentindo as dores do tiro que levou? Como dizer “não” a alguém que procura nosso ombro pra chorar? Como negar um conselho?

 O Advento que se aproxima é também um momento propício para oração. Pela oração conseguimos remover ou transpor problemas do tamanho de montanhas.

 Através dela, nos tornamos íntimos com o projeto do Pai e revestidos dessa proximidade divina não conseguimos mais fechar os olhos; nossos ouvidos começam a captar a verdadeira direção e nosso pensamento não se afastará. Talvez seja isso que deveríamos fazer todos os dias, não somente durante os problemas.

 Domingo, acenda a primeira vela em sua casa. Se puder decore sua sala, sua porta, (…)

 2º Meditação: 

  “(…) A libertação verdadeira da pessoa humana é fruto de dois elementos importantes: o primeiro é o seu compromisso pessoal e comunitário com o Reino de Deus e com a comunidade à qual pertence, de modo que a sua vida passa a ser uma constante luta histórica de transformação da realidade tendo como critério os valores do Evangelho; o segundo é a confiança inabalável da presença atuante de Deus na sua vida e na história dos homens como o grande parceiro que está ao lado dos que assumem a luta por um mundo novo. Somente a união entre esses dois elementos pode garantir um processo histórico verdadeiramente libertador”. (CNBB)

No evangelho de hoje continua o Discurso Apocalíptico que traz mais dois sinais, o 7° e o 8°, que deverão ocorrer antes da chegada do fim dos tempos ou melhor antes da chegada do fim deste mundo para dar lugar ao novo mundo, ao “novo céu e à nova Terra” (Is 65,17).

 O sétimo sinal é a destruição de Jerusalém e o oitavo é o abalo da antiga criação.
Jerusalém era para eles a Cidade Eterna. Agora ela estava destruída! Como explicar este fato? Será que Deus não deu conta do recado?

 Difícil para nós imaginar o trauma e a crise de fé que a destruição de Jerusalém causou nas comunidades tantos dos judeus como dos cristãos.

 Aqui cabe uma breve observação sobre a composição dos Evangelhos de Lucas e de Marcos. Lucas escreve no ano 85. Ele usou o evangelho de Marcos para compor a sua narrativa sobre Jesus.

 Marcos escrevia no ano 70, o mesmo ano em que Jerusalém estava sendo cercada e destruída pelos exércitos romanos.

 Por isso, Marcos escreveu dando uma dica ao leitor: “Quando virdes a abominação da desolação instalada onde não devia estar – (aqui ele abre um parêntesis e diz) “que o leitor entenda!” (fecha parêntesis) – então, os que estiverem na Judéia devem fugir para as montanhas”. (Mc 13,14).

 Quando Lucas menciona a destruição de Jerusalém, já fazia mais de quinze anos que Jerusalém estava em ruínas. Por isso, ele omitiu o parêntesis de Marcos.

 Lucas diz: “Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, ficai sabendo que a sua destruição está próxima. Então, os que estiverem na Judéia, devem fugir para as montanhas; os que estiverem no meio da cidade, devem afastar-se; os que estiverem no campo, não entrem na cidade. Pois esses dias são de vingança, para que se cumpra tudo o que dizem as Escrituras. Infelizes das mulheres grávidas e daquelas que estiverem amamentando naqueles dias, pois haverá uma grande calamidade na terra e ira contra este povo. Serão mortos pela espada e levados presos para todas as nações, e Jerusalém será pisada pelos infiéis, até que o tempo dos pagãos se complete. “.

 Ao ouvirem Jesus anunciar a perseguição (6° sinal) e a destruição de Jerusalém (7° sinal), os leitores das comunidades perseguidas do tempo de Lucas concluíam: “Este é o nosso hoje! Estamos no 6° e no 7° sinal!”

No fim, após ter ouvido falar de todos estes sinais que já tinham acontecido, ficava esta pergunta: “O projeto de Deus avançou muito e as etapas previstas por Jesus já se realizaram. Estamos agora na sexta e na sétima etapa. Quantas etapas ou sinais será que ainda faltam até que chegue o fim? Será que falta muito?”

 A resposta vem agora no 8° sinal: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas.”. O 8° sinal é diferente dos outros sinais.

 Os sinais no céu e na terra são uma amostra de que está chegando, ao mesmo tempo, o fim do velho mundo, da antiga criação, e o início da chegada do novo céu e da nova terra.

 Quando a casca do ovo começa a rachar é sinal de que o novo está aparecendo. É a chegada do Mundo Novo que está provocando a desintegração do mundo antigo. Conclusão: falta muito pouco! O Reino de Deus já está chegando. Dá para agüentar!

“Então eles verão o Filho do Homem vindo sobre uma nuvem, com poder e grande glória. Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se e ergam a cabeça, porque a libertação de vocês está próxima.”

 Neste anúncio, Jesus descreve a chegada do Reino com imagens tiradas da profecia de Daniel (Dn 7,1-14). Daniel diz que, depois das desgraças causadas pelos reinos deste mundo, virá o Reino de Deus.

 Os reinos deste mundo, todos eles, tinham figura de animal: leão, urso, pantera e besta-fera (Dn 7,3-7). São reinos animalescos, desumanizam a vida, como acontece com o reino neo-liberal até hoje!

 O Reino de Deus, porém, aparece com o aspecto de Filho de Homem, isto é, com aspecto humano de gente (Dn 7,13). É um reino humano. Construir este reino que humaniza, é a tarefa do povo das comunidades.

 É a nova história que devemos realizar e que deve reunir gente dos quatro cantos do mundo. O título Filho do Homem é o nome que Jesus gostava de usar.

 Só nos quatro evangelhos o nome aparece mais de 80 (oitenta) vezes! Toda dor que suportamos desde agora, toda luta em favor da vida, toda perseguição por causa da justiça, tudo é dor de parto, semente do Reino que vai chegar no 8° sinal.

 2º  Reflexão Apostólica:

   Hoje, ao ler este santo Evangelho, como não ver o reflexo do momento presente, cada vez mais cheio de ameaças e mais tingido de sangue? A segunda vinda do Senhor tem sido representada, inúmeras vezes, pelas mais aterrorizadoras imagens, como parece ser neste Evangelho; sempre sob o signo do medo.

 Ontem enfatizávamos o LEVANTAR e CONTINUAR e hoje, após uma mensagem tão direta sobre o futuro do povo de Jerusalém, Ele diz para eles e para nós “(…) FIQUEM FIRMES E DE CABEÇA ERGUIDA, POIS LOGO VOCÊS SERÃO SALVOS”. Além de mim e de você quem hoje precisaria ouvir essa mensagem?

Sempre enfatizo a dificuldade que temos de se encarar o futuro sem medo, da nossa facilidade em conjugar na prática verbos no futuro e no gerúndio, pois sempre “serei” ou “tentando”, e do nosso empenho (ou falta dele) pessoal em fazer render as moedas. Hoje, às portas do Advento, momento propício para reconciliação, escuta e principalmente da auto-reflexão, o que penso em fazer?.

Talvez nessa auto-reflexão venha a nosso pensamento desastres naturais, situações difíceis ou até mesmo pessoas que nos prejudicaram, mas o que deve nortear a nossa auto-análise é o quanto me preocupei por coisas PASSADAS OU FUTURAS e esqueci do PRESENTE. O futuro depende das atitudes que tomo hoje e não ao contrário. Muita gente espera o fim, pois parece que ele de fato chegou a vida delas.

Reparemos que por trás dessas últimas passagens tão apocalípticas, Jesus apresenta uma mensagem que denota sempre um recomeço. Esse novo START é dado a partir de uma atitude, uma fagulha, uma faísca dentro de cada um de nós. Nossa vida tende a INÉRCIA se não ficarmos a monitorando e nos mexendo.

Repare que se fosse de nossa própria vontade, ao chegar cansados do trabalho, tomaríamos um banho e relaxaríamos (até dormiríamos) no sofá. Mas algo nos inquieta, no move, que pode ser um coração que pulsa; um pensamento caridoso, um gesto fraterno… É essa fagulha gerada pelo Espírito Santo que nos lança ao desconhecido, longe da nossa zona de conforto, mas ainda mais próximo de Deus e daqueles que mais precisam.

Portanto, o mundo não acabou, por que desistir? Como Fabio de Melo canta “há sempre motivos pra recomeçar”.

Como explicar o empenho de um casal no interior de Sergipe (vi no Luciano Huck certa vez) que tem cerca de 30 filhos adotivos? Como entender a olhos humanos o gesto de João Paulo II ao ir à prisão e perdoar aquele que desejou sua morte mesmo ainda sentindo as dores do tiro que levou? Como dizer “não” a alguém que procura nosso ombro pra chorar? Como negar um conselho? Um prato de comida? Um sorriso?

O advento que se aproxima é um momento propício para oração. Através dela conseguimos remover ou transpor problemas do tamanho de montanhas. Por meio dela nos tornamos íntimos do projeto do Pai e só assim, não conseguiremos mais fechar os olhos e ouvidos… Passamos a captar a direção divina, pois nosso pensamento não se afasta tão facilmente. Talvez seja isso que deveríamos fazer, não somente durante os grandes problemas, mas sim, rotineiramente.

 Propósito:

Pai, faze-se adequar meu existir à novidade que me é oferecida por Jesus, como dom teu à humanidade, de modo que eu possa usufruir dos benefícios de tua salvação.


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