Publicado por: sidnei walter john | 14 de novembro de 2016

EVANGELHO DO DIA 18 DE NOVEMBRO SEXTA FEIRA


18 NOVEMBRO – É em Roma, a grande cidade da história, que a alma de um cristão rejuvenesce e se fortalece para as lutas cada vez mais ferrenhas do mundo e do inferno contra a Igreja e contra os seus ministros. (L 52).. São Jose Marello 

18-nov-lucas-19-45-48Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 19,45-48

Depois, Jesus entrou no templo e começou a expulsar os que ali estavam vendendo. E disse: “Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’. Vós, porém, fizestes dela um covil de ladrões”. Todos os dias, ele ficava ensinando no templo. Os sumos sacerdotes, os escribas e os notáveis do povo procuravam um modo de matá-lo. Mas não sabiam o que fazer, pois o povo todo ficava fascinado ao ouvi-lo falar. 

Meditação:

Naquele tempo, a celebração da Páscoa acontecia anualmente no templo em Jerusalém. Era uma das três festas anuais que exigiam o comparecimento de todos os homens, sendo as outras a festa de Pentecostes e a dos Tabernáculos.

A festa da Páscoa comemorava a saída dos judeus da escravidão no Egito (Ex 12,1-13) e começava aproximadamente no décimo quarto dia de abril em nosso calendário, durando sete dias ao todo. A Páscoa propriamente era celebrada no dia inicial, seguindo-se depois a festa dos Pães Ázimos.

Muitas judeus com suas famílias viajavam do mundo inteiro para Jerusalém durante essas festas.

Assim, durante a Páscoa, a área do templo ficava sempre abarrotada com milhares de visitantes além dos seus habitantes.

Todo israelita de vinte anos para cima tinha que pagar anualmente na tesouraria sagrada do templo meio siclo como um oferecimento ao Senhor (Ex 30,13-15), e isto com a tradicional e antiga moeda hebraica deste valor exato.

O povo também era obrigado a oferecer animais como sacrifício pelos pecados. Muitos não podiam trazer consigo seus animais porque vinham de longe, ou porque não dispunham de animais nas perfeitas condições exigidas.

Havia, portanto, grande procura de moedas de meio siclo assim como de animais próprios para os sacrifícios e holocaustos na festa da Páscoa.

Para facilitar o comércio, os líderes religiosos permitiam que cambistas de moedas e comerciantes montassem suas bancas e barracas na corte dos gentios no templo, mediante um aluguel. Era lucrativo para os negociantes e rendoso para os sacerdotes, à custa dos que vinham oferecer sacrifício.

O templo de Deus estava sendo usado de forma inadequada, e a perseguição do ganho material e o uso de práticas gananciosas predominavam. A Casa de Deus tinha se tornado uma espécie de bolsa de mercadorias ou feira livre.

O Senhor indignou-se com isto e, tendo feito um chicote de cordas, expeliu todos do templo com seus animais, espalhou o dinheiro dos cambistas e virou-lhes as mesas, dizendo aos que vendiam as pombas “tirai daqui estas coisas: não façais da casa do meu Pai casa de negócio”, pois estavam fazendo um escárnio da casa de Deus.

Ao término do seu ministério, aproximadamente três anos mais tarde (Mt 21,12-17; Mc 11,12-19; Lc 19,45-48), Ele repetiu esta “limpeza”, pois o motivo de lucro daquela gente era mais forte que o desejo de conservar a santidade do templo.

Deus sempre preveniu seu povo contra o uso do culto a Ele para o seu próprio enriquecimento.

O que o Senhor fez naquelas ocasiões não foi cruel ou injusto, mas era apenas a manifestação da sua santidade e justiça, o que fez com que seus discípulos se lembrassem do versículo no Salmo 69,9… “o zelo da tua casa me devorou”.

Este salmo é citado dezessete vezes no Novo Testamento. É um dos seis salmos mais citados no Novo Testamento.

Jesus tinha amplos motivos para dizer que os comerciantes gananciosos haviam transformado o templo de Deus num “covil de salteadores”.

Para poder pagar o imposto do templo, os judeus e os prosélitos procedentes de outros países tinham de trocar seu dinheiro estrangeiro por moeda aceitável.

Os cambistas operavam negócios lucrativos, cobrando uma taxa para cada moeda cambiada. Jesus os chama de salteadores, sugere que as taxas deles eram tão excessivas, que na realidade extorquiam dinheiro dos pobres.

Alguns não podiam levar seus próprios animais para ser sacrificados. Todos que os levavam tinham de submetê-los a um exame feito por um inspetor no templo por uma taxa.

Muitos que não queriam arriscar-se a ter um animal rejeitado depois de trazê-lo de longe, compravam um leviticamente “aprovado” dos negociantes corruptos no templo. Muitos dos camponeses pobres eram bem enganados ali.

Há evidência de que o ex-sumo sacerdote Anás e sua família tinham capital investido nos comerciantes no templo. Escritos rabínicos falam de “bazares dos filhos de Anás [no templo]”.

O lucro que recebiam dos cambistas e da venda de animais na área do templo era uma das suas principais fontes de renda.

A ação de Jesus, de expulsar os comerciantes, não só tinha por alvo o prestígio dos sacerdotes, mas também os bolsos deles.

Não será que esta cena ainda se repete em nossos dias nas festas dos padroeiros em nossas paróquias e capelas?

Reflexão Apostólica:

Os sacerdotes não conseguiam ter uma atitude mais enérgica ou negativa quanto a Jesus, pois por mais duro que fossem suas palavras, Ele não mentia.

Jesus em poucos momentos de sua pregação teve atitudes que gerassem certo assombro, mas como o próprio evangelho de João narra “o zelo o consumia”.

São João Bosco dizia que “sempre há uma corda que vibra, e que cabe a nós descobri-la”. Jesus sabia muito bem como tocar os corações mais simples como os mais duros. Sua Palavra atinge o fundo da alma fazendo-a vibrar e responder.

Quantas vezes achamos que o que foi refletido aqui foi pensando no que estou passando ou vivendo?

Quantas vezes ao ouvir uma homilia, uma pregação, uma palestra, algo me incomodou tanto, pois se tinha a impressão que era pra mim que falavam aquilo? Pois é! A corda vibrou!

Por que as repreensões nos tocam tanto? Por que é que não conseguimos entender as chamadas mais duras?

Saibamos que Jesus sempre anunciou o caminho de forma querigmática, mas nunca deixou de ser catequético. Pedro foi assim, Paulo também.

Entendamos querigmático como o anuncio de algo como se fosse da primeira vez. É parecido com o primeiro dia na escola, na faculdade, no emprego novo, no Grupo, na Equipe…

São conteúdos ou instruções para que se entenda e faça a pessoa entender o quanto é maravilhoso, o quanto é belo, o quanto é formidável fazer aquilo e queira continuar.

No querigma, não se omite a verdade, mas se dá mais importância ao resgatar da estima, a se apropriar do que faz como filho, proprietário, dono, participante; a cooperação, atitudes que visem o crescimento, o perdão. A catequese vem para aparar as arrestas livres, para que tenhamos uma mesma direção.

Muitos estudiosos, filósofos, pensadores não gostam ou não adotam uma religião em virtude da idéia de não tolerar o querigma.

Acreditam e defendem que o querigma da religião é uma “fuga da realidade” onde se podem manipular pessoas e grupos sociais a acreditar que tudo é belo, maravilhoso, santo (…).

Outros pensadores, como aqueles que ficaram chocados com a atitude de Jesus no templo não admitem ouvir ou serem imprensados contra a parede.

Não notam que não estão sendo, mas como diz Augusto Cury: O “mestre dos mestres” aplicou a pedagogia melhor para aquele momento. E novamente a corda vibrou!

Para o psicanalista renomado Içami Tiba que nos apresenta a expressão “parafusos de Geléia” que se torna muito apropriado para todos nós quando não gostamos (seria melhor não suportamos) a idéia de sermos contrariados; quando apertados ou imprensados contra a parede fugimos, escapamos, relutamos (…) e de certa forma o “não” ao nosso querer ou a nossa opinião também fez vibrar a corda.

Que Deus nos ofereça os “sins” e “nãos” em nossos quereres; que não entendamos mal todas as vezes que Jesus nos chame a atenção e que nossa vida seja, principalmente no serviço, “uma casa de oração”.

Propósito:

Espírito purificador, tira do meu coração toda sorte de maldade e de egoísmo, que o tornam indigno de ser morada de Deus.


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