Publicado por: sidnei walter john | 11 de novembro de 2016

EVANGELHO DO DIA 13 DE NOVEMBRO – 33º DOMINGO DO TEMPO COMUM


13 novembro – Nos nossos tempos, dificilmente nos será pedido o sacrifício da vida como testemunho da nossa fé, mas também para nós está reservada uma bela e gloriosa palma de vitória. (S 352). São jose Marello

13-nov-lucas-21-5-19XXXIII DOMINGO COMUM

Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 21,5-19

Naquele tempo, 5algumas pessoas comentavam a respeito do Templo que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas.
Jesus disse: 6“Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído”.
7Mas eles perguntaram: “Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?”
8Jesus respondeu: “Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente!9Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim”.
10E Jesus continuou: “Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. 11Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu.
12Antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. 13Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé.
14Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; 15porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. 16Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós.
17Todos vos odiarão por causa do meu nome. 18Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça.
19É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida! 

Meditação: 

Nos evangelhos sinóticos encontramos conjuntos de textos escatológicos, com estilo apocalíptico, que prenunciam o fim dos tempos, de maneira trágica, com a volta do “Filho do Homem”. Este estilo literário reproduz a forma encontrada no Antigo Testamento, no qual, a partir do “Dia de Javé”, dia de terror para o mundo, porém, de glória para Israel, se elaborou uma literatura apocalíptica. A presença destes textos no Novo Testamento é o reflexo da antiga tradição das primeiras comunidades de convertidos do judaísmo.

Tais textos são encontrados, em bloco, nos “discursos escatológicos”, em Mateus (cap. 24-25) e em Marcos (cap. 13), e em dois discursos em Lucas. A invariabilidade das sentenças dos textos, nos três evangelhos, leva a supor que os evangelistas recorreram às mesmas fontes de tradição, especificamente escatológicas.

O discurso escatológico em Marcos prioriza o prenúncio da destruição de Jerusalém, à qual é associada a vinda do Filho do Homem. No discurso escatológico de Mateus, as sentenças sobre a destruição de Jerusalém e sobre a vinda do Filho do Homem estão entremeadas.

Lucas, em um primeiro discurso, destaca o tema escatológico da vinda do Filho do Homem (17,22-37) e, em outro, retoma este tema a partir do tema da destruição de Jerusalém, incluindo também a perseguição contra os discípulos missionários (21,5-36).

Estamos já no final do ano litúrgico e o tema das leituras deste domingo é também o do “final dos tempos”, o final do mundo. De fato, no evangelho há numerosas passagens que aludem ao este tema, como os famosos textos “apocalípticos”, pois o gênero “apocalíptico” era uma espécie de moda dos crentes daqueles tempos.

A liturgia deste domingo lança um olhar para o futuro. O futuro que está diante de nós, escondido e desconhecido. Vivemos na esperança de que nos traga o bem e que mude sempre para melhor nossa situação. Mas também é verdade que estamos sujeitos a muitas coisas ruins: doenças, acidentes, morte de pessoas caras, desemprego, perca da nossa casa, catástrofes naturais, etc.

É esta situação de insegurança que favorece o aparecimento das muitas tentativas de saber o futuro; basta pensar no número de pessoas que diariamente lêem horóscopos e recorrem a simpatias e outras práticas com o intuito de mudar o seu destino.

O Evangelho de hoje é somente a primeira parte de um longo discurso onde Jesus, recorrendo a uma linguagem cheia de imagens fortes e paradoxais (apocalíptica), anuncia o fim do homem e do mundo, fim este que coincidirá com a vinda do Cristo. Este discurso, que aparece antes do relato da paixão, é um verdadeiro testamento: Jesus, conhecendo que estava próxima sua morte, revela o que nos espera no final da história, quando ele vier na glória.

Em Lucas, este discurso, além dos discípulos, é dirigido também à multidão do templo. É o discurso de despedida de Jesus a Jerusalém, da qual anuncia a destruição. Jesus começa sua fala partindo do entusiasmo com que alguns dos presentes se deleitam com a imponente construção do templo e a sua beleza. Para os hebreus, o templo era motivo de orgulho e sinal de poder e segurança: quem ousaria profanar um lugar sagrado e demolir uma semelhante obra de arte? Jesus anuncia: o templo será reduzido a ruínas: não ficará pedra sobre pedra.

E isto aconteceu de fato pela ação das tropas romanas do general Tito no ano 70 d.C., quase 40 anos depois desta profecia. Jesus quer nos dizer que toda grandeza artificial, todo símbolo e fortaleza de poder, mesmo sendo religioso, onde somos tentados a por a nossa segurança, estão sujeitos a cair.

Os ouvintes pedem, indignados e sem acreditar, quando esta profecia seria realizada e quais fossem os sinais que precederiam aquele trágico acontecimento. Mas, Jesus não está interessado em falar nem sobre os sinais do fim do mundo nem da sua vinda nem muito menos da queda de Jerusalém. Mas sim no destino dos seus e como devem se comportar a conduta destes durante o tempo não breve da espera.

Um perigo contra o qual Jesus adverte seus discípulos é com relação aos falsos profetas que anunciam próxima a sua vinda. A fé dos discípulos desde o início será sempre ameaçada por supostos libertadores da humanidade, por pretensiosos representantes de Deus, sedutores de toda espécie. Basta lembrarmos as várias seitas fundamentalistas que afirmam saber com certeza o dia exato do fim do mundo.

É necessário vigiar para não se deixar enganar. O curso da história é marcado por todas estas coisas terríveis. É perigoso interpretar todos estes acontecimentos como sinais de um próximo fim do mundo, semeando alarmismos infundados. Assim mesmo, a ruína de Jerusalém e do templo é considerada pelos judeus como uma tragédia sem proporções, são inconformados até hoje. Para Jesus, porém, tal acontecimento faz parte do desígnio de Deus, mas não tem uma relação direta com o fim do mundo.

Jesus nos pede, por isso, aceitar com coragem o tempo em que vivemos. Ele quer que saibamos olhar a realidade e enfrentá-la sem medo, mesmo se for dolorosa e cheia de incógnitas. A coragem é requisito frente ao ódio e à perseguição que acompanharão sempre os discípulos. É esta uma constante no caminho da Igreja e na existência dos cristãos. Jesus quer que quando nos encontremos perseguidos, não percamos a confiança e não nos deixemos sufocar pelo medo e pelas preocupações.

Ele ainda nos motiva: este tempo difícil é ocasião para darmos testemunho. É preciso perseverança: paciência, constância, coragem, confiança, e sobretudo resistência de frente a todas as provas até o fim. Trata-se de permanecer fiéis a Palavra e à vontade de Deus que nos pede de viver cotidianamente no amor. Daquilo que o futuro traz Jesus leva em consideração somente aquilo que cria dificuldade e pode colocar em perigo a fé nele e na sua palavra.

O mal continua a fazer parte da história humana e a atormentar os homens, mas não devemos ficar desorientados por isto, nem devemos pensar que estes acontecimentos como o aquecimento global é sinal de que o fim está próximo, mas ter consciência que somente permanecendo firmes, no fim ele nos concederá a plenitude da vida e da salvação.

Hoje estamos também num momento de mudança na história. A crise da religião -paradigmática na Europa – leva a pensar em muitas disciplinas (sociologia, antropologia cultural…) e também deve fazer pensar na teologia.

Não são poucos os analistas que crêem que estamos na presença de uma metamorfose de religião. Algo termina (um Templo está se desmoronando), e algo está nascendo (uma nova resposta religiosa).

Quem nos disse que em matéria de religião (ou de religiões) não pode haver mais nada de novo debaixo do sol? Quem disse que nossa geração não tem direito de criar uma nova tradição religiosa? Quem pode garantir que não se está já criando essa nova tradição nos incontáveis movimentos religiosos? Quem afirmaria hoje que Jesus queria fundar exatamente o que de ato logo se construiu sobre seu testemunho e que não seria ele uma nova fundação ou refundição do futuro…?

Hoje, com o avanço da ciência, a escatologia (ramo da ciência que trata do “eskhatos, os últimos acontecimentos) não sabe onde colocar esses últimos acontecimentos, nem como conectá-los com o que hoje todos sabem. E por isso custa continuar falando das “últimas coisas” nas coordenadas teológicas tradicionais: realidades últimas eram pensadas como conectadas diretamente com a “prova” e o “juízo de Deus” sobre nós e a uma “vida eterna”, vista como o premio ou castigo correspondente.

A vida, a morte e a possível continuidade ou não da vida… tudo isso era considerado nas coordenadas daquela visão mítica (acima de tudo Deus, que decide criar a humanidade e colocá-la à prova para levar os participantes à vida eterna…).

A convicção mítica do “Deus que cria os humanos para uma vida provisória, com uma prova para classificar os que poderiam chegar à vida eterna”. Ainda hoje, muitos cristãos continuam pensando assim, como também não vêem a possibilidade de que a vida, morte e o além da morte sejam dimensões da existência humana que devam deixar de ser “utilizadas” com a idéia de prêmios e castigos de Deus aos irmãos por sua conduta. Muitos pregadores terão hoje dificuldades para enfocar em sua homilia a superação dessa interpretação tradicional.

Reflexão Apostólica:

Nestes domingos já finais do ano litúrgico, a liturgia nos faz refletir sobre o fim do mundo. É o tema clássico. Mas hoje devemos introduzir também o tema da crise de religiões, como o fim de muitas formas religiosas que estão realmente morrendo, o advento talvez de uma nova forma de religiosidade que todavia não podemos intuir…

O evangelho nos faz uma série de advertências quando confundimos a religião com os edifícios que temos para a celebração da fé. Para muitos, “igreja” é mais um templo que a comunidade dos fiéis.

Outros consideram a abundância ou a magnificência dos templos como sintomas de desenvolvimento, prosperidade e “boa situação” de uma religião, sem se dar conta de que uma valorização puramente numérica ou sociológica não é prova conclusiva dos valores sobre os quais se sustenta uma experiência religiosa.

Jesus põe-nos em guarda contra esse tipo de identificadores que tendem a desvirtuar ou distorcer os verdadeiros fundamentos e o valor da religião. Os templos poderão desaparecer, mas a Igreja fundada por Cristo como comunidade daqueles que crêem nele e seguem seus ensinamentos, terá sua assistência e proteção até o final dos tempos (Mt 28,20).

Guerras? Revoluções? Terremotos? Sustos variados? Epidemias? Fome? Terrorismo? Tudo isso vivenciamos durante os últimos vinte séculos. Todavia existem alguns loucos que se esforçam por pensar que o fim já aqui. E pretendem assustar-nos. Mas não conseguirão. Porque a Palavra e o pão de cada dia nos confortam, nos dão de cada dia nos dizem que o Deus da vida nos criou e não deixará que a vida pereça.

Muitas seitas fundamentalistas anunciam a partir destes textos o fim do mundo e convidam à conversão para ser parte dos que vão se salvar. Outras pessoas, por suas múltiplas ocupações, não se preocupam nem sequer com o decorrer da história e o desenvolvimento dos acontecimentos.

A reflexão sobre a segunda vinda de Cristo provocou continuamente na história preocupações, temores e angústias. A vinda do Senhor não é uma ameaça, mas uma esperança. Por isso não pode produzir pânico, temor ou medo, mas confiança absoluta.

Diante do conflito político-religioso da história é preciso viver em atitude de discernimento dos sinais que nele encontramos para agir. A realidade que vivemos está gerando desconcerto, desilusão e desesperança. Muitos cristãos estão lutando para construir uma nova história e por isso são perseguidos, caluniados e assassinados.

Que o senhor nos dê um espírito de Constancia durante a semana, vem em nosso socorro nos momentos de provação e dificuldade, quando a perseverança se torna difícil, um desafio.

Propósito:

Senhor e Pai da história, ensina-nos a transformar as relações entre os seres humanos construindo uma história humana de amor, de liberdade, de justiça e de paz, que nos leve à construção de uma humanidade nova onde se explicite efetivamente o Reino de Deus. Espírito de constância, vem em nosso socorro nos momentos de provação e dificuldade, quando a perseverança se torna difícil, e a fidelidade, um desafio.


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