Publicado por: sidnei walter john | 10 de novembro de 2016

Evangelho do dia 12 de novembro sábado


12 novembro – Às vezes acontece de sentirmos uma paz tão profunda, uma alegria tão inebriante, que já nos parece estar experimentando uma antecipação do Céu. Mas eis que de repente a mente se anuvia, o coração arrefece e desfalece; a fronte já não brilha tão serena, o olhar já não resplende com vivacidade, as ações já não procedem com regularidade… estamos possuídos pela desolação e por aflições imensas! Jesus, vendo a alma afeiçoar-se ao prazer, lembra-nos que não é no exílio que devemos alegrar-nos e sim na pátria celeste. Aqui na terra vivemos para sofrer, lutar e vencer. (S 346). São Jose Marello

12-nov-lucas-18-1-8Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 18,1-8

 Jesus contou a seguinte parábola, mostrando aos discípulos que deviam orar sempre e nunca desanimar:
– Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus e não respeitava ninguém. Nessa cidade morava uma viúva que sempre o procurava para pedir justiça, dizendo: “Ajude-me e julgue o meu caso contra o meu adversário!”
– Durante muito tempo o juiz não quis julgar o caso da viúva, mas afinal pensou assim: “É verdade que eu não temo a Deus e também não respeito ninguém. Porém, como esta viúva continua me aborrecendo, vou dar a sentença a favor dela. Se eu não fizer isso, ela não vai parar de vir me amolar até acabar comigo.”
E o Senhor continuou:
– Prestem atenção naquilo que aquele juiz desonesto disse. Será, então, que Deus não vai fazer justiça a favor do seu próprio povo, que grita por socorro dia e noite? Será que ele vai demorar para ajudá-lo? Eu afirmo a vocês que ele julgará a favor do seu povo e fará isso bem depressa. Mas, quando o Filho do Homem vier, será que vai encontrar fé na terra?

 Meditação:   

chama de “pai”, para pedir-lhe que “venha a nós o teu reinado”. Desde a noite escura desse mundo, desde a injustiça estrutural, fica cada dia mais duro crer nesse Deus apresentado como onipotente e onipresente, justiceiro e vingador do opressor.

Ou talvez se tenha que cancelar para sempre essa imagem de Deus com tão pouca base nas páginas do evangelho. Porque, lendo-as, fica a impressão de que Deus não é nem onipotente nem impassível – ao menos não exerce – mas débil, sofredor, “padecente”; o Deus cristão se revela mais dando a vida do que impondo uma determinada conduta aos humanos; marcha na luta reprimida e frustrada de seus pobres e não na cabeça dos poderosos.

Os discípulos de Jesus, reunidos em comunidades, hoje, são chamados a viverem a fé e a proclamação da Palavra com perseverança e na justiça (2Tm 3,14-4,2), rompendo com os falsos valores da sociedade injusta, submissa à ideologia do poder do dinheiro.

O cristão, consciente da companhia de Deus em seu caminho para a justiça e a fraternidade, não deve desfalecer, mas insistir na oração, pedindo força para perseverar até implantar seu reinado em um mundo onde dominam outros senhores. Somente a oração poderá manter a esperança.

Deus não nos larga a mão. Pela oração sabemos que Deus está conosco. E isto nos deve bastar para continuar insistindo sem desfalecer. O importante é a constância, a tenacidade.

No Antigo Testamento (Ex 17,8-13), temos a contraditória e pouco edificante mistura de fé e violência, em que a oração de Moisés leva à vitória de Josué, que passa a fio da espada os vizinhos amalecitas, cujo território foi ocupado pelos israelitas.

Moisés teve essa experiência. Enquanto orava, com as mãos levantadas no alto do monte, Josué ganhava a batalha; quando as abaixava, isto é, quando deixava de orar, os amalecitas, seus adversários, venciam.

Os companheiros de Moisés, conscientes da eficácia da oração, o ajudaram a não desfalecer, sustentando-lhe os braços para que não deixasse de orar. E assim esteve – com os braços levantados, isto é, orando insistentemente – até que Josué venceu os amalecitas. De modo ingênuo o texto ressalta a importância de permanecer na oração, de insistir diante de Deus.

Paulo também recomenda a Timóteo  (2Tm 3,14-4,2) que seja constante permanecendo no aprendizado das Sagradas Escrituras, onde se obtém a verdadeira sabedoria que, pela fé em Cristo Jesus, conduz à salvação. O encontro do cristão com Deus deve realizar-se através da escritura, útil para ensinar, repreender, corrigir e educar na virtude.

Deste modo, estaremos equipados para realizar toda obra boa. O cristão deve proclamar esta parábola, insistindo a tempo e fora do tempo, repreendendo e reprovando a quem não o tenha em conta, exortando a todos, com paciência e com a finalidade de instruir no verdadeiro caminho que se nos mostra nela.

Para quem tem uma mentalidade moderna, que não imagina um Deus como alguém que está “aí fora” e “aí em cima” dirigindo os acontecimentos deste mundo, a oração clássica de petição mudou de sentido. Em um primeiro momento, damos menos valor à oração de petição: descobrimos seu caráter egoísta e sua intenção de “utilizar a Deus”, “servir-se” dele mais que servi-lo.

Chega o momento em que assimilamos esta situação de estar no mundo sem um “Deus tapa buracos” e vemos menos sentido em estar recorrendo a ele a cada instante.

Vamos assumindo este estar no mundo “etsi Deus non daretur” (Grotius), como se Deus não existisse. Ou, como disse Bonhoeffer: nós nos sentimos chamados a viver diante de Deus, porém sem deus, um deus que quer nossa responsabilidade adulta.

A oração continua tendo sentido, obviamente, porém outro sentido que o de andar estabelecendo trocas (“eu te dou para que tu me dês”) com o “deus de lá de cima” que pode melhorar a saúde ou facilitamos alguma dificuldade do caminho removendo os obstáculos. A oração é outra coisa, para outra finalidade, e continua sendo necessária como a respiração.

A oração é uma prática presente em toda a Bíblia e em todas as religiões. No Segundo Testamento ela assume uma nova dimensão a partir da prática de Jesus em orar e da oração ensinada aos discípulos, o “Pai-Nosso”.

Nos Evangelhos, particularmente em Lucas, são revelados a importância e os vários aspectos da oração. A oração é o pedir, com fé, associado ao agir.

Com uma “segunda ingenuidade”, cabe a permissão em uma forma leve (light) de oração de petição, aquela na qual sabemos que não pretendemos realmente uma “troca” com Deus, nem colocá-lo de lado (influir em suas decisões, fazê-lo mudar de atitude), mas simplesmente permitir que nos expressemos diante de Deus e diante de nós mesmos e de nossas inquietações, como um desabafo pessoal, como um modo de colocar nossas preocupações no contexto da vontade de Deus e de consolidar nossa busca de procurar essa vontade.

Sobre a oração de petição e sua necessária consideração já escrevi bastante e o estudo foi bom. O que nos toca agora é cumprir o nosso dever de casa: ser cada vez mais e mais conseqüentes.

Reflexão Apostólica:

Esta parábola do juiz injusto é um ensinamento muito expressivo acerca da eficácia da oração perseverante e firme. E providencialmente constitui a conclusão da doutrina sobre a vigilância, exposta nos versículos anteriores.

O fato de comparar o Senhor com uma pessoa como esta, põe em relevo o contraste entre ambos: se até um juiz injusto acaba por fazer justiça àquele que insiste com perseverança, quanto mais Deus, infinitamente justo e nosso Pai, escutará as orações perseverantes dos Seus filhos.

Deus fará justiça aos Seus escolhidos que clamam por Ele sem cessar. A necessidade da oração funda-se na necessidade da graça atual.

É uma verdade de fé que, sem esta graça, nos achamos em impotência radical de nos salvarmos e, com maior força de razão, de atingirmos a perfeição.

De nós mesmos, por melhor uso que façamos da liberdade, não podemos nem dispor-nos positivamente para a conversão, nem perseverar por tempo notável, nem, sobretudo perseverar até à morte: Sem mim, diz Jesus a seus discípulos, nada podeis fazer, nem sequer ter um bom pensamento.

São muito claros os textos, que nos mostram a necessidade de rezar, se quisermos alcançar a salvação: É preciso rezar sempre e nunca descuidar (Lc 18, 1). Vigiai e orai para não cairdes em tentação (Mt 25, 41). ‘Pedi e dar-se-vos-á (Mt 7, 7).

É preciso rezar, orai, pedi, significam e impõem um preceito e uma obrigação, um mandamento formal.

A oração para os adultos é necessária, não somente por ser um mandamento de Deus, como também por ser um meio necessário para a salvação.

Assim, torna-se impossível que um cristão se salve sem pedir as graças necessárias para a sua salvação. Depois do batismo, a oração contínua é necessária ao homem para poder entrar no céu.

Embora sejam perdoados os pecados pelo batismo, sempre ainda ficam os estímulos ao pecado, que nos combate interiormente, o mundo e os demônios que nos combatem externamente.

A oração é necessária não para que Deus conheça as nossas necessidades, mas para que nós fiquemos conhecendo a necessidade que temos de recorrer a Deus, para receber oportunamente os socorros da salvação.

Assim, reconhecemos Deus como único Autor de todos os bens, a fim de que nós conheçamos que necessitamos de recorrer ao auxílio divino e reconheçamos que Ele é o Autor dos nossos bens.

No evangelho de hoje vemos a descrição das duas personagens. O  juiz é mau, a viúva é pobre e sem amparo. O seu único recurso é a perseverança em implorar justiça. Perseveremos também em nossa oração, nós que tratamos não com um juiz iníquo, mas com um Pai de misericórdia.

A razão que o Senhor dá para atender as orações é tríplice: a sua bondade, que tanto dista da compaixão do juiz; o amor que tem pelos seus discípulos e, por último, o interesse que estes mostram através da sua perseverança na petição.

Deus está sempre atento a quem o invoca. Pede-lhe sem titubear, e conhecerás que a sua grande misericórdia não te abandona, mas dará cumprimento à petição da tua alma.

A viúva não desanimou, mas perseverou e foi atendida; perseveremos também nós na oração e Deus nos atenderá. É, pois, necessário que rezemos com humildade e confiança. Entretanto, isto só não basta para alcançarmos a perseverança final e, com ela, a salvação eterna.

As graças particulares que pedimos a Deus, podemos obtê-las por meio de orações particulares. Mas, se não perseverarmos na oração, não conseguiremos a perseverança final, a qual compreende uma cadeia de graças e, por isso, supõe repetidas e continuadas até à morte.

Assim como nunca cessa a luta, assim também nunca devemos deixar de pedir a misericórdia divina, para não sermos vencidos. Se quisermos, pois, que Deus não nos abandone, devemos pedir-lhe sempre que nos auxilie.

Fazendo assim, certamente Ele nos assistirá sempre e não permitirá que nos separemos dele e que percamos a sua amizade. Procuremos, por isso, rezar sempre e pedir a graça da perseverança final, bem como as graças para consegui-la.

A oração perseverante é índice de fé profunda, de firme esperança, de caridade viva para com Deus e o próximo. O ensinamento de Jesus Cristo sobre a perseverança na oração une-se com a severa advertência de que é preciso manter-se fiéis na fé; fé e oração vão intimamente unidas.

Creiamos para orar e para que não desfaleça a fé com que oramos, oremos. A fé faz brotar a oração, e a oração, enquanto brota, alcança a firmeza da fé.

O Senhor anunciou a Sua assistência à Igreja para que possa cumprir indefectivelmente a sua missão até ao fim dos tempos (Mt 28, 20); a Igreja, portanto, não pode desviar-se da verdadeira fé.

Porém, nem todos os homens perseverarão fiéis, mas alguns se afastarão voluntariamente da fé. É o grande mistério que São Paulo chama de iniqüidade e de apostasia (2Ts 2, 3), e que o próprio Jesus Cristo anuncia noutros lugares (Mt 24, 12-13).

Quem não persevera na oração com fé, nunca poderá ver realizados os seus pedidos e os seus desejos. A perseverança da nossa oração revela a nossa humildade diante de Deus e faz com que sejamos fiéis ao que nos propomos.

Sabemos que somos impotentes, mas podemos desejar coisas impossíveis, porque confiamos na justiça de Deus. Por isso, a persistência das nossas reivindicações nos torna firmes e nos faz ter convicção e fé na promessa de Jesus de que tudo quanto pedirmos ao Pai, em Seu nome será atendido.

Do contrário, demonstramos orgulho e prepotência quando, porque ainda não fomos atendidos, nós desistimos dos nossos desejos e anseios e damos prova de que não temos fé nas promessas divinas. Deus sabe o tempo e a hora de nos dar aquilo que nós suplicamos, porém a nossa firmeza e persistência será uma prova de que realmente o nosso coração anseia ardentemente por aquilo que nós pleiteamos.

Ele faz justiça aos seus escolhidos, e, se assim nos consideramos, precisamos dar o nosso testemunho para que a chama da fé não se apague no coração da humanidade.

O que você tem pedido a Deus é realmente o que o seu coração anseia? Será que você tem convicção da necessidade das suas reivindicações? Você seria capaz de continuar pedindo por isso a vida toda? Você confia nas promessas de Deus para a sua vida e a da sua família?

O Senhor previne-nos para que, ainda que à nossa volta haja quem desfaleça, nos mantenhamos vigilantes e perseveremos na fé e na oração.

Deus há de ouvir, finalmente, aos seus eleitos, se eles orarem com fé e perseverança. Ainda que seja ao cabo de vinte, trinta anos, no fim da vida; que é isso em relação à eternidade? Mas, infelizmente, a fé vai enfraquecendo, e com ela a caridade, e sem caridade é impossível a oração.

Propósito:

Pai, faze-me pobre e simples diante de ti, de modo que minhas súplicas sejam atendidas, pois jamais deixas de atender a quem se volta para ti na humildade de coração.


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