Publicado por: sidnei walter john | 6 de novembro de 2016

Evangelho do dia 8 de novembro terça feira


08 novembro – Não devemos preocupar-nos com o dia de amanhã, mas ficar tranqüilos nas mãos de Deus, que não nos deixará faltar nada: a cada dia basta a sua aflição. (S 237). São Jose Marello

8-nov-lucas-17-7-10 Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 17,7-10

Jesus disse:
– Façam de conta que um de vocês tem um empregado que trabalha na lavoura ou cuida das ovelhas. Quando ele volta do campo, será que você vai dizer: “Venha depressa e sente-se à mesa”? Claro que não! Pelo contrário, você dirá: “Prepare o jantar para mim, ponha o avental e me sirva enquanto eu como e bebo. Depois você pode comer e beber.” Por acaso o empregado merece agradecimento porque obedeceu às suas ordens? Assim deve ser com vocês. Depois de fazerem tudo o que foi mandado, digam: “Somos empregados que não valem nada porque fizemos somente o nosso dever.”
  

Meditação:

Esse evangelho, principalmente nas primeiras linhas, gera em nós certo desconforto se for lido de maneira racional, mas não podemos deixar de lembrar que o momento e a situação eram norteados por uma cultura diferente da nossa.

Jesus também não inaugurava nesse evangelho o positivismo defendido pelos pensadores da idade moderna.

Ele não defendia a resignação mediante a situação patrão e funcionário (servo), mas que cada um deveria entender e fazer o seu papel.

A parábola de hoje é o final de um grande bloco de recomendações que Jesus faz a seus discípulos sobre as condições que devem ter para fazer parte da comunidade dos crentes.

Jesus lhes diz que a graça não é fruto de recompensa, mas fruto da entrega e do serviço aos demais.

Um efeito negativo do legalismo religioso em Israel é o tipo de pessoa que gera: gente interesseira, que não pensa no valor de uma causa à qual se deve entregar sem medidas, mas no estrito cumprimento da lei da qual depende seu prêmio.

A mentalidade de Jesus era outra coisa diferente: estava absorvida pelo valor da causa de seu Pai (a justiça e a misericórdia) e seu maior prêmio era servir a esta causa.

Jesus queria contagiar desta mentalidade a seus seguidores. E na parábola do servo infatigável praticamente resume sua própria vida: como a do servo que depois de um trabalho (semear, arar), deve fazer ainda outro (servir à mesa).

Tudo isto lhe parece natural, e não exige recompensa nem melhor trato porque sua causa é estar a serviço de seu senhor.

Bem diferente da mentalidade de quem está a serviço do poder e que espera recompensa nesta mesma linha.

Quem está convencido de ser servidor da causa da justiça, não estranha que esta causa lhe exija um serviço após o outro, nem que venha a padecer carências em seu serviço. Ele não busca prêmios, quer apenas ser o simples servidor de uma causa.

Nesta parábola exclusiva de Lucas temos um contraste entre um servo submisso e seu patrão.

De início, os discípulos são convidados a se identificarem com o patrão da parábola (“Se alguém de vós tem um servo…”).

Na aplicação da parábola, os discípulos são identificados com o servo (…dizei: “Somos simples servos…”).

A parábola causa certo constrangimento pelas imagens usadas: por um lado o senhor proprietário rural, prepotente e gozador, e, de outro lado, um servo humilhado.

A parábola é composta com base em imagens do pequeno trabalhador que possui um só escravo.

Ele faz parte da propriedade de seu senhor, muito distinto de outros trabalhadores que eram contratados por um determinado tempo.

O relato começa com uma pergunta de Jesus que tem por finalidade conhecer a realidade do escravo.

O regressar do duro trabalho do dia, cansado e faminto, não pode o escravo pensar na comida ou no descanso.

Ao contrário, como escravo que é, recebe outra tarefa: servir seu senhor. Uma vez cumprida essa ordem, quando o senhor não tem mais o que mandar, pode ele também comer e beber.

Esta é uma realidade comum nas sociedades de classes, onde as elites privilegiadas exploram e humilham os pobres pequeninos e despojados de tudo.

No ambiente religioso do judaísmo no tempo de Jesus, a parábola pode exprimir a relação entre a Lei opressora e o fiel oprimido, com sua obediência cega.

A parábola nos descreve a atitude que o homem deve ter perante Deus. Servimos a Deus com humildade, sabendo que não somos indispensáveis.

Tudo o que recebemos dele é graça e toda nossa vida deve ser uma resposta agradecida a seus dons e não uma busca de recompensa, que em todo caso seria sempre sem merecimento.

Com esta parábola, Jesus se opõe à mentalidade dos fariseus que pensavam que, cumprindo a lei, obrigavam a Deus a premiá-los por seu comportamento.

Entretanto, Jesus pensa que os dons de Deus ao servo cumpridor não são um direito que se pode reivindicar, mas um dom gratuito, porque a consciência do dever cumprido é uma recompensa suficiente.

O evangelho nos recorda que somos seguidores, discípulos do Senhor. Apesar de que os projetos, tarefas e atividades que realizamos diariamente estejam cheios de triunfos e reconhecimentos, não é a nós mesmos quem anunciamos, mas a Jesus e o Reino de Deus.

A vida de Jesus foi toda dedicada ao serviço aos pobres e excluídos, culminando com o lava-pés dos discípulos na última ceia. Por Ele, somos convidados a assumirmos esta prática de serviço.

Somos simples servos inúteis que fazemos o que temos que fazer. Não podemos nos vangloriar pelo trabalho realizado, mas sermos humildes e não propagar o que fazemos buscando o favor dos demais; temos que recordar sempre que nada do que fazemos pelo Senhor será suficiente para recompensar o que Ele faz por nós

Reflexão Apostólica:

Enfrentamos em nossas comunidades, no nosso trabalho, em sociedade um momento podemos chamar de “Pilatos”.

As pessoas não se atrevem a mudar a realidade ao seu redor mesmo que ela (a situação) esteja errada ou parcialmente equivocada. Elas cada vez mais as pessoas estão “lavando as mãos” aos problemas.

Ficam paulatinamente cegas aos problemas que acontecem ao seu redor, passando a se interessar apenas pelos seus. Essa nova forma de egoísmo tem conseguido atingir quem deveria estar dando o exemplo da união – os servos.

Mesmo a morte de cruz sendo o desígnio de Jesus, Pilatos sabia que Ele não havia feita nada de errado, por que então nada fez? Foi avisado por sua esposa, mas por que endureceu seu coração?

E hoje, por que nossas lideranças, amigos, líderes têm fugido da correção fraterna? Por que é que cada um tem vivido uma igreja e esquecido que na realidade fomos chamados a sermos um?

A igreja não cresce pela fala ou talento de um “JACÓ”, de um Grupo, de uma Pastoral, um Movimento mas pelo empenho de nos mantermos unidos e com apenas um objetivo.

Deus nos constituiu comunidade, mas esse grupo de pessoas que convivem e congregam de um mesmo objetivo devem amadurecer a idéia de crescer.

Uma comunidade seja ela na igreja, no trabalho, na família, só se desenvolve quando cada membro toma posse da maturidade.

Amadurecemos na vida cristã quando entendemos o nosso papel em relação a nós e principalmente aos outros e só assim poderemos de fato exercer, na fé e na ação conclamadas por são Tiago, a missão a que fomos chamados (as).

Somos agora empurrados por algo sobrenatural que é maior que todos nós – O amor de Deus.

Sim, somos empregados, mas o nosso Deus não é um feitor ou um capitão do mato. Não é um Deus que persegue, maltrata ou que encheria alguém de privilégios.

Nosso Deus, é um Deus do silêncio; que pede para não aparecer mesmo fazendo mudanças e milagres em nossas vidas; é um Deus que mesmo conhecendo nossa natureza fraca e movida por interesses confia em nossa vontade de mudar, de crescer, (…); mas mesmo Ele sendo tão bom e compassivo, precisamos entender que cada um tem o seu lugar.

Não posso tratar a Deus como “meu chapa” e viver uma vida medíocre repleta de inveja, desamor, ganância, orgulho, ódio, hipocrisia (…).

Se cada um soubesse o seu lugar e desempenhássemos o nosso papel, sem lavar as mãos, teríamos com certeza uma comunidade, um mundo, um planeta, mais fraterno.

Propósito:

 Pai, reconhecendo-me servo inútil, quero esforçar-me para ser justo e misericordioso. Somente assim serei agradável a ti.

 Meditação

O evangelho de hoje narra a parábola que se encontra no evangelho de Lucas, sem paralelo nos outros evangelhos. A parábola quer ensinar que a nossa vida deve se caracterizar pela atitude de serviço.

Esta parábola envolve o leitor, inserindo-o como um personagem da narrativa: ele é levado a identificar-se com um senhor dono de uma propriedade rural, que explora seu servo ou assalariado. E vai concluir que não há nada a agradecer ao servo que cumpriu seu papel social de escravo.

Poder-se-ia salvar, talvez, apenas a conclusão final: os discípulos devem servir a Deus de maneira humilde e desinteressada.

Pode-se, também, entender a parábola como uma crítica irônica de tal tipo de sociedade, e aplicada àqueles que estão atrelados às observâncias da Lei. Como escravos da Lei, obedecem cegamente, como simples servos, sem horizontes maiores, sem liberdade e sem amor.

Hoje, Jesus conta uma parábola em que nos coloca no lugar de Deus, e pede que imaginemos a situação hipotética: você tem um empregado que trabalha o dia inteiro cuidando de animais no campo; no fim do dia, quando seu empregado chega, é claro que você não vai pedir que ele se sente à mesa com você para jantar, mas vai pedir que ele se arrume e lhe sirva a mesa; será que você vai agradecer a ele, ou ele não fez nada mais que sua obrigação?

Depois, Jesus conclui dizendo: “Quando tiverdes feito o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.'”

Jesus fala “empregado”, e não “escravo”. Caso isso não seja um erro de tradução, nós somos comparados a empregados de Deus, o que significa que temos direito a um “salário”! E que não merecemos sequer um “obrigado” de Deus, pois não fazemos nada além do que já somos “pagos” para fazer. No entanto, o nosso “emprego” é de tempo integral: 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano, sem direito a férias… e fazendo tudo o que Eles (Pai, Filho e Espírito Santo) mandarem (veja que, no Evangelho, este verbo está no plural).

Tudo bem, então qual é o nosso “salário”? O nosso “salário” são os nossos DONS. Ter um coração batendo no peito, impulsionando vida pelo nosso corpo, é o maior salário que poderíamos receber. E nós é quem deveríamos ser gratos a Deus! Pois nada que façamos por Ele, poderia retribuir o dom da vida.

Deus não é como nós e, mesmo que não mereçamos nem um “obrigado”, Ele todos os dias nos dá novos dons, e nos pede que por favor, ajudemos a fazer o Reino dEle começar a acontecer aqui, no nosso mundo.

Somos servos inúteis, mas Deus QUER precisar de nós, e fica muito agradecido quando obedecemos a sua vontade, por isso que Ele nos confia cada dia mais…

Como você se sente depois de desempenhar com sucesso, a sua tarefa? Você espera ser reconhecido (a) pelas pessoas, ser incensado (a), servido (a), exaltado (a) pelo seu feito? Qual é o prêmio que você espera pelo seu serviço no reino de Deus? Você tem sido perseverante ao chamado de Deus, na sua casa e no mundo?

Reflexão Apostólica:

Temos só um dever na terra: “cumprir bem nossa obrigação”. Apesar de ser uma simplificação muito fácil, esse modo de dizer ensina que temos de ser responsáveis por aquilo que somos e fazemos, assim como o empregado que sabe o que tem de fazer e faz. Faz porque tem de fazer e pronto. A cozinheira responsável faz bem a comida e não precisa ficar esperando elogios. Se os elogios vierem, graças a Deus! Mas se não vierem, ela já cumpriu sua obrigação.

Os elogios, quando sinceros, têm a vantagem de mostrar que acertamos. Podem ser elogios diretos ou indiretos. Elogio direto vem com palavras de aprovação; e os elogios indiretos podem vir com gestos de aprovação, como é o caso da comida da cozinheira; se todos comem e repetem, é um sinal de que a comida estava boa.

Como nossa vida é bastante complexa, como somos seres superiores, temos também, por natureza, muitas obrigações; não apenas obrigações de trabalho.

Temos obrigações de religião; por isso, se somos cristãos , precisamos respeitar as exigências inerentes a nossa fé. Temos obrigações sociais; por isso, se queremos conviver bem com as pessoas, precisamos descobrir quais são nossas obrigações para com elas e tentar uma convivência responsável. Temos obrigações para conosco; por isso precisamos cuidar de nossa saúde, da saúde do corpo e da saúde da alma. E assim por diante.

Mesmo se estivéssemos sozinhos no mundo, ainda assim não estaríamos livres de obrigações. Mas quem entende a si mesmo e percebe suas relações com o mundo e com as pessoas, não encara as obrigações como um peso e sim como uma realidade da vida, que pode nos fazer felizes.

Temos a impressão nesse evangelho que nosso trabalho, nossa labuta e esforço não são reconhecidos por esse Senhor que chega, come, não agradece e vai embora sem se despedir, mas reparem que o servo que esta servindo é aquele que irá em breve lavar os pés dos seus e mesmo assim irá terminar numa cruz.

Já notaram como tratamos Jesus? Parecemos esse senhor que se aproxima, exige milagres, favores, olhares, mas ao fim não agradece, não permanece fiel, não muda! Na primeira vez que lemos temos o olhar de Deus como mestre, mas o que vemos hoje é um mundo preso a religiões e praticas que serão populares se Deus for funcionário dos seus seguidores…

É triste, mas é verdade!

Desde aquela época Jesus era amado e idolatrado, pois trazia não somente a Boa Nova, mas por trazer alivio as dores e mazelas daqueles que o cercavam.

Seu manto era tocado, sua sombra era disputada, sua atenção era preciosa… Mas quando teve que ir para cruz teve que enfrentar a solidão, o descaso e a ingratidão até mesmo dos seus. O engraçado é o gesto nobre do Senhor, que mesmo prevendo tudo isso diz: “(…) Por acaso o empregado merece agradecimento porque obedeceu às suas ordens”?

Se voltarmos o nosso olhar para muitas (e nossas também) comunidades veremos o que? Ministros de música que querem receber pagamento pra tocar nas missas; veremos alguns pregadores profissionais que esquecem que o Apóstolo Paulo tecia tendas para se sustentar e defendia que as pessoas deveriam somente comer se trabalhassem.

Acho estranha essa inversão de valores que meio nos assola e atormenta. Ministros, padres, lideranças que se acham mais importantes que o próprio Deus que se faz pão; Quando minha vaidade é tão grande que o microfone não abaixa do 12; quando minhas homilias mais são ataques e desabafos a aqueles que não gosto ou aturo… E no meio disso um povo sem saber o que esta acontecendo…

Chato ver pessoas que acreditam em Deus brigar, sendo elas da mesma ou de outra religião. Será quem é o Senhor? Quem é o servo? Estamos confundindo?

Pastores enriquecendo e pedindo que as “ovelhas” abdiquem do dinheiro, do que é material, (…) é meio contra-senso, não acham? Ver pessoas saindo da comunidade por dificuldade com os irmãos também é. Qual é nossa função então?

“(…) Prepare o jantar para mim, ponha o avental e me sirva enquanto eu como e bebo. Depois você pode comer e beber”.

Façamos nossa função. Exerçamos nosso ministério com respeito e afinco. Não percamos ninguém por nossas diferenças. Façamos realmente o que Deus quer.


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