Publicado por: sidnei walter john | 16 de outubro de 2016

Evangelho do dia 18 de outubro terça feira – SÃO LUCAS, EVANGELISTA


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18 outubro – Deus cuida de nós com o mais terno carinho. (S 212). São Jose Marello.

18-out-lucas-101-9Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 10,1-9

 Naquele tempo 1o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita.
3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cum­primenteis ninguém pelo caminho! 5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7Per­ma­necei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não pas­seis de casa em casa. 8Quando entrar­des numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘o Reino de Deus está próximo de vós’”.

Meditação:   

Hoje comemora-se é a festa do evangelista Lucas. Na realidade conhecemos pouco sobre os autores dos evangelhos. Tais “autores” não escreveram para fazer uma crônica, mas sim para dar a conhecer uma pessoa: Jesus de Nazaré.

Os evangelhos não foram escritos de maneira imediata pelos discípulos do Jesus histórico. Foram escritos pela necessidade das gerações posteriores que viram a importância de conservar o testemunho dos primeiros discípulos e discípulas de Jesus.

Uma figura simpática do Cristianismo primitivo, homem de posição e qualidades, de formação literária e de profundo sentido artístico divino.

Nasceu em Antioquia da Síria, médico de profissão foi convertido pelo apóstolo Paulo, do qual se tornou inseparável e fiel companheiro de missão.

Colaborador no apostolado, o grande apóstolo dos gentios em diversos lugares externa a alta consideração que tinha por Lucas, como portador de zelo e fidelidade no coração.  É autor também do livro dos Atos dos Apóstolos, que é a continuação narrativa e teológica de seu evangelho.

O programa narrativo e teológico do evangelho mostra Jesus, o Senhor, que ensina a destruir o poder do mal a partir da criação de uma comunidade convertida, socialmente comprometida, que o confessa como Filho de Deus, que veio devolver a visão aos cegos e libertar os oprimidos da humanidade. Programa que desencadeou o Livro dos Atos dos Apóstolos, atos realizados pela igreja nascente.

O evangelista Lucas caracteriza-se, entre outros aspectos, por sua visão mais universalista, em relação ao ministério de Jesus, ampliando a compreensão mais limitada dos discípulos convertidos do Judaísmo. Enquanto Mateus faz ascender a genealogia de José até Abraão, Lucas a amplia até Adão, “pai de todos os viventes”. Lucas é também o único evangelista sinótico que destaca o “bom samaritano”.

Nesta narrativa de hoje, exclusiva de Lucas, ele já menciona a missão de Jesus e seus discípulos entre os gentios, com o envio de setenta e dois, dentre os quais poderiam encontrar-se também discípulos convertidos gentios. São portadores da paz. Revelarão a presença do Reino pela comunhão de vida com aqueles que os receberem, sem discriminações raciais, com o amor libertador e
universal.

O evangelho focaliza sua atenção ao compromisso evangelizador dos mensageiros, cujo seguimento de Jesus, vivem e anunciam a novidade do Reino aos homens e mulheres.

Lucas vê provavelmente na missão temporal dos 72 discípulos uma prefiguração da missão eclesial futura entre os pagãos, representada pelas 72 nações. Mateus, por sua vez, reconhece só Doze discípulo (Mt 10, 1 – 14). Marcos especificou que haviam sido enviados os Doze (Mc 6, 7–12). Provavelmente Lucas encontrou nesta missão, de um grupo mais numeroso de discípulos, uma constatação de tudo o que acontecia na Igreja que ele conhecia.

Não é importante agora o debate sobre o número de discípulo, que seja doze, setenta ou setenta e dois, como se lê em alguns manuscritos; o importante é frisar o fato de que a obra de Jesus se encontra eternamente aberta e se realiza através dos discípulos.

Os Doze, como número simbólico, continuam sendo o fundamento de toda a missão da Igreja. E juntos a eles, Jesus escolheu a muitos outros. Daí a sentença: “a messe é grande e os trabalhadores são poucos.” Sempre haverá desproporção entre a grandeza da tarefa missionária e o número de enviados.

Em sua viagem a Jerusalém, Jesus tem a possibilidade de passar pela terra dos Samaritanos e sente vontade de entrar aí e passar a noite. Por esta razão manda mensageiros para que lhe preparar pousada, mas fica surpreso porque é discriminados pelos samaritanos (9,51ss).

Lucas nos diz que depois desta dificuldade com os Samaritanos, enviou Jesus os setenta e dois às cidades que ele iria. Estamos conectados a um contexto urbano:  a missão que vão realizar na cidade os enviados.

Muitas vezes os filhos da paz correspondem com hostilidade ao dom que têm os pregadores.

A primeira casa em que os discípulos forem acolhidos deve ser para eles como sua própria casa. “Permanecei naquela mesma casa”.

O grande objetivo dos missionários é a mensagem do reino de Deus. O mais importante não deve ser o bem-estar pessoal, o bom trato e os cuidados da hospitalidade.

O que muda de alojamento mostra que o valor supremo para ele não é a Palavra de Deus, mas sua própria pessoa.Prejudica e se prejudica. Desacredita seu anfitrião e se desacredita a si mesmo. Não deve violar a lei sagrada da hospitalidade. Os discípulos devem comer e beber do que lhes for oferecido. Não devem se preocupar, pensando que incomodam indevidamente a quem lhes dá a hospitalidade.

A pregação do Senhor não é suficiente, se faz necessário que aqueles que caminham com ele e instruídos por ele saiam a proclamar para o mundo, como se fez a partir de hoje.

O trabalho dos enviados não deve ficar paralisado com as preocupações terrenas. O que recebem é justa compensação pelo que eles trazem: seu dom é maior. A missão dos discípulos é missão nas casas e nas cidades. Uma cidade que os acolhe mostra boa disposição.

Os discípulos devem realizar aquilo para o qual foram enviados. Os enviados cumprem a missão de Jesus, da qual se disse: “Tal é a mensagem que enviou (Deus) aos filhos de Israel anunciando o Evangelho de paz por meio de Jesus Cristo (At 19,36).

A messe é grande e os trabalhadores são poucos. O Reino de Deus está perto e é urgente sair proclamando. Mas aonde ir? Para as cidades onde se encontram os lobos que devoram suas vítimas, os pobres e inocentes que sofrem as explorações por parte dos donos das cidades. São os ricos e poderosos os que habitam a grande cidade, onde se concentra o poder, como hoje.

Reflexão Apostólica:

A paz de Deus é para nós o sinal de que o reino de Deus está próximo, isto é, de que ele já acontece dentro do nosso coração.

Por isso, a paz de Deus excede a todo o conhecimento humano, a tudo o que o mundo nos oferece e a todo o bem ou riqueza material que nós possamos possuir aqui na terra.

Jesus é a paz e por meio de nós Ele deseja penetrar em todos os corações e participar da vida da nossa família e de todas as famílias da terra.

Assim como enviou os seus discípulos Ele também nos envia a ir de “casa em casa” deixando de lado tudo o que pesa e complica a nossa vida.

Ele nos envia e nos orienta a fim de que o nosso trabalho seja frutuoso e não nos percamos no meio do caminho. “Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias e não cumprimenteis ninguém pelo caminho”, é o conselho que Ele nos dá.

Bolsa, sacola, sandálias significam as coisas que trazemos na bagagem da nossa vida e nas quais nos apoiamos. São “falsas seguranças” que durante a nossa vida nos acostumamos a lançar mão delas, mas que desvirtuam as características do reino de Deus que Jesus veio instaurar.

Não cumprimentar ninguém pelo caminho é também não perder tempo, não envolver-se com outras ocupações que nos tiram do caminho ou então experimentar sentimentos que prejudicam o nosso relacionamento com Deus e com os irmãos: ódio, ressentimento, discriminação, julgamentos, idéias preconcebidas etc.

A nossa missão é muito importante: somos trabalhadores da messe do Senhor, missionários do Seu amor, a partir da nossa casa, dentro da nossa família.

A nossa casa é o primeiro lugar aonde o Senhor nos manda anunciar o reino e nós desperdiçamos tempo e oportunidade quando, dentro dela, cultivamos e promovemos a guerra, quando não oferecemos o perdão, quando remoemos mágoas e ressentimentos.

É por meio do nosso testemunho de vida com o irmão que nós anunciamos a proximidade do reino, por isso Jesus nos mandar ir dois a dois.

Os nossos relacionamentos, a nossa convivência fraterna, a unidade com que nós vivenciamos as nossas diferenças, darão testemunho ao mundo de que nós já vivemos o reino, aqui, desde já.

Por fim precisamos também atender a Jesus quando Ele nos manda interceder: “pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita.”

Nunca podemos esquecer de que “a messe é grande, mas os trabalhadores são poucos”, por isso, o Senhor conta conosco e a nossa intercessão é valiosa.

Você é um trabalhador da messe do reino de Deus? Você já sente no seu coração a paz dos que vivem o reino de Deus? Como você tem vivido este reino? Você tem procurado levar esta paz para a sua casa? Você tem dificuldades de relacionamento? Você sabia que o seu testemunho é a melhor maneira de evangelizar e de propagar o reino de Deus? Você tem intercedido pelos trabalhadores da messe?

A metáfora da condição dos discípulos é uma forma de descrever o futuro da missão. Ser cordeiros entre lobos não dá margem para dúvidas: a missão está destinada a ser uma batalha desigual, onde toda prudência é pouca. Nada de ilusões!

Humanamente falando, as orientações dadas por Jesus deixavam os discípulos numa situação de fragilidade.

Os enviados em missão devem estar despojados e confiantes. Em seu anúncio, sofrerão a repressão dos poderosos, que são como que lobos A pobreza material levava-os a depender da caridade alheia. Como se sabe, nem todo mundo está disposto a ajudar.

Quem depende de esmolas, está sujeito a toda sorte de ironia, gozações e humilhações, sem contar o risco de sofrer agressões físicas. A recomendação de não escolher casa ou cidade onde entrar – os discípulos deveriam ir a toda cidade e lugar por onde Jesus passaria – obrigava-os a visitar até mesmo povoados hostis, especialmente os situados na região da Samaria.

Lucas destaca por duas vezes a determinação de “entrar” e “comer” nas casas, o que é uma negação dos costumes do judaísmo de não entrar, e muito menos comer, em casa de gentios.

Se a hospitalidade em uma cidade lhes fosse recusada, eles não teriam o direito de fazer uso da força ou da violência. Bastava-lhes sacudir o pó das sandálias, e seguir adiante.

Falando na perspectiva do Reino, a ação missionária oferecida aos setenta e dois discípulos exigia deles serem testemunhas do mundo novo proclamado por Jesus. Aí os bens materiais deveriam ser relativizados, não tendo primazia no coração humano. A solidariedade seria um imperativo, e a violência, banida. Por conseguinte, a reação dos apóstolos diante de situações adversas já seria uma ação evangelizadora.

Propósito:

Ó Deus, que nos apóstolos mostrais a eficácia transfigurante da vossa graça; ajudai-nos a procurar continuamente o seu testemunho e o seu ensinamento, para que encontremos de fato o rosto do vosso Filho. Pai, que a perspectiva de dificuldades a serem encontradas no apostolado não me faça recuar da missão de preparar o mundo para acolher teu Filho Jesus.


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