Publicado por: sidnei walter john | 9 de outubro de 2016

Evangelho do dia 11 de outubro terça feira


11 de outubro – A questão do “dinheiro” já nos deteve por demais inclinados para o baixo e é tempo de proclamar o “sursum corda”: corações ao alto. (L 158). São Jose Marello 

11-out-lucas-11-37-41Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 11,37-41

Enquanto Jesus estava falando, um fariseu o convidou para jantar em sua casa. Jesus foi e pôs-se à mesa. O fariseu ficou admirado ao ver que ele não tinha feito a lavação ritual antes da refeição. O Senhor disse-lhe: “Vós, fariseus, limpais por fora o copo e a travessa, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades. Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? Antes, dai em esmola o que está dentro, e tudo ficará puro para vós.  

Meditação:

Os evangelistas com freqüência usam um estilo literário resumido e próprio para exprimir as ações e as mensagens de Jesus. Lucas é o único evangelista a mencionar refeições de Jesus na casa de fariseus.

Nesta narrativa, por ocasião do jantar de Jesus, temos uma introdução a uma série de advertências à doutrina dos fariseus, com sucessivos “ais”, que se seguirão.

O que deflagra as sucessivas advertências de Jesus é a crítica que fazem sobre sua inobservância em relação à purificação ritual dos pratos e talheres antes da refeição.

Jesus em sua réplica transfere esta questão particular para a questão mais ampla da própria religião dos fariseus: preocupam-se com a pureza externa, que fica nas aparências, mas não são zelosos no essencial que é o interior da pessoa, suas intenções e desejos. Está em foco não cada fariseu individualmente, mas sua própria religião.

A impureza interior dos fariseus consiste na avareza e cobiça, que leva à prática do roubo e maldades. Em sua experiência religiosa, preocupavam-se apenas com minúcias e aparências, ignorando a justiça e o amor de Deus, que são essenciais.

Chega-se à verdadeira religião pela pureza interior, que consiste em abandonar a avareza e a cobiça, doando-se e partilhando com os empobrecidos e excluídos.

A partir deste texto chegamos à conclusão de que a Deus não interessa as purificações externas rituais. Estas foram criadas para dar boa consciência aos líderes religiosos.

O que agrada a Deus é um coração puro, libertado das ambições e maldades, que transborda em atos concretos de amor aos irmãos.

A última frase é de difícil interpretação. Mas percebe-se seu sentido. É a prática da partilha, ou seja, da esmola que leva à pureza de todo seu ser.

A verdadeira religião consiste na pureza interior que se alcança ao abandonar a avareza e a cobiça, empenhando-se na instauração da justiça neste mundo.

Reflexão Apostólica:

Jesus tinha o “pavio curto” com os fariseus! Imaginemos a cena: O fariseu convidou Jesus para jantar na casa dele; Jesus entrou e pôs-se a mesa; o fariseu deve ter feito algum comentário indiscreto sobre Jesus não ter lavado as mãos; e isso bastou para que Jesus começasse a dizer tudo o que pensava a respeito dos fariseus. Detalhe: o jantar nem tinha começado a ser servido! Será que ainda houve jantar depois do que Jesus disse?

Vejamos o que é possível aprender desse discurso: Vós, fariseus, limpais por fora o copo e a travessa, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades. Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior?

E nós… De que adianta limparmos o corpo por fora tomando banho, e deixarmos o nosso interior sujo? “Quem fez o exterior, também não fez o interior?”

O exterior, que é o nosso corpo, é fácil limpar… Mas e o interior, de que forma poderemos purificá-lo? “Antes, dai esmola do que vós possuís, e tudo ficará puro para vós.”

A única parte que Jesus amenizou foi nesta última. Dar esmola é muito pouco para purificar uma pessoa que está suja por dentro.

Jesus nos ensina a ter coerência nas nossas atitudes e a agir conforme o interior do nosso coração e não somente de fachada. É o que confirmamos nas ENS: Coerência entre fé e vida…

Tudo o que fizermos – mesmo as nossas boas ações – com o intuito de simplesmente aparecer para impressionar às outras pessoas se torna uma ação hipócrita ou falsa.

Aquele que fez o exterior não fez também o interior? ”, portanto Deus nos conhece por inteiro e sabe bem das nossas intenções.

Fazer somente para agradar, para cumprir as regras, é insensatez. Os fariseus lavavam as mãos antes das refeições com o fim de se purificarem, no entanto, existia maldade nos seus corações.

Da mesma forma, os nossos gestos exteriores, às vezes, até o de nos ajoelhar ou nos prostrar diante de Deus ou mesmo o abraço ou o aperto de mão que nós damos ao irmão, não terão sentido se o nosso coração estiver cheio de rancor, de despeito ou de inveja.

Mais do que as regras que vivemos valerá a esmola que por amor a Deus nós oferecemos ao nosso próximo. Jesus mesmo afirma neste Evangelho: “daí esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós!”

Portanto, precisamos pensar mais sobre esse assunto e avaliar como é que nós estamos vivendo o nosso dia a dia em palavras, gestos e ações.

Você costuma fazer alguma coisa para chamar a atenção? O que você faz é o que o seu coração aponta? Você costuma observar as ações dos outros para depois fazer julgamentos e comentários? Como é a sua atitude diante de alguém que estende a mão e lhe pede alguma coisa? Qual é o sentido da esmola na sua vida?

Em todas as traduções conhecidas da Bíblia, usam esta mesma expressão: “dar esmola”. A tradução da Bíblia Ave Maria diz: “Dai antes em esmola o que possuís, e todas as coisas vos serão limpas.” A tradução de Almeida (1967) diz: “Dai, porém, de esmola o que está dentro do copo e do prato, e eis que todas as coisas vos serão limpas.

Esta última tradução especifica o que deve ser dado em esmola: o que está no interior. E como fazer isso? Dar em esmola os bens materiais é algo palpável e entendível… Mas dar em esmola o que está no nosso interior? E o mais complicado de entender (se prepare que esta é filosófica!): devemos dar em esmola o que temos de sujo dentro de nós, para ficarmos limpos?

Jesus disse que o interior dos fariseus estava cheio de roubo e maldades. E a forma de purificar o interior seria colocando estas impurezas para fora, e a única forma é substituindo pela caridade, que é um sinônimo do amor.

Jesus acreditava que dentro daqueles fariseus, bem lá no fundo, haviam bons sentimentos. Mas para que estes sentimentos pudessem se desenvolver, e purificar o interior, precisariam ser postos em prática. E a melhor forma de praticar o amor é SE DOANDO.

Existe uma música lindíssima que nos lembra que “por mais pecados que tenhamos cometido, por mais defeitos que tenhamos, o nosso ato mais sincero e natural é o AMAR, já que Deus nos criou à sua imagem e semelhança.”

Então, acreditemos: por pior que seja uma pessoa, ela também é capaz de amar… só precisa que alguém ensine e lhe dê motivo para isso…

Propósito:

Pai, purifica de todo pecado e egoísmo o mais íntimo de meu ser, pois eles me tornam incapazes de viver em comunhão contigo e com o meu semelhante.


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