Publicado por: sidnei walter john | 6 de outubro de 2016

Evangelho do dia 8 de outubro sábado


08 outubro – A ação do Espírito Santo em nossas almas é, basicamente, um trabalho de simplificação. (L 76). São Jose Marello

8out-lucas-1127-28Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 11,27-28

 “Enquanto Jesus assim falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”. Ele respondeu: “Bem-aventurados, sobretudo, são os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. 

Meditação:

Este diálogo se dá em um contexto de agressividades dos escribas e fariseus a Jesus, os quais afirmavam que era por Belzebu, o príncipe dos demônios, que Jesus expulsava os demônios.

Uma voz feminina, compassiva e solidária, se faz ouvir, exaltando aquele que estava sendo alvo daqueles chefes religiosos.

A mãe de Jesus é, por aquela mulher, proclamada bem-aventurada, por causa de seu filho. Diante da enorme multidão, Jesus recebe um elogio através de uma mulher: ditoso o ventre que te carregou e os seios que te amamentaram.

Por outras palavras seria: Viva a mãe que te gerou! Porque entre os antigos judeus, a melhor honra de uma mulher consistia em ter um filho famoso.

A mulher glorifica e chama de bem aventurada a mãe de Jesus, deseja felicidade e honra para a mulher que lhe deu a vida e que o viu crescer.

Este elogio da mãe de Jesus  é a segunda vez que ela o recebe de uma mulher, que a declara bem-aventurada ou ditosa.

A primeira foi quando da visita a Isabel em Lc 1, 45. Que no Magnificat se traduz numa benção reconhecida em todos os tempos: Doravante as gerações todas me chamarão bem-aventurada.

Mas Jesus responde que há uma bem aventurança maior: a de quem escuta a Palavra de Deus e a coloca em prática. Este é o autêntico motivo de felicidade: escutar e seguir a Palavra que é Jesus e guardar o ensinamento por ele proclamado.

Ao responder assim,  Jesus não nega a bem-aventurança dada a sua mãe, porém prefere a que deva ser a última e eterna de todos os que devem preferir a felicidade que provém de Deus àquela que sai da boca dos homens.

Esta felicidade que ouvimos da boca de Jesus, sai da vontade e preferência divinas. E esta felicidade é a de escutar e guardar a palavra de Deus, o Deus Vivo e Verdadeiro.

Devemos entender esta passagem com a paralela em Lucas 8, 21, quando Jesus escolhe a sua nova família entre os ouvintes a palavra do Deus e praticantes da mesma.

O mundo espiritual está por cima do mundo material e dos laços familiares. Jesus anuncia premiar seus discípulos por abandonar sua família por causa d’Ele e do evangelho (Mc 10, 29), pois ele tinha abandonado também a própria família  para fazer a vontade do Pai, em cuja casa devia ser procurado, com antecedência à casa de seus familiares em Nazaré.

Jesus, pois, a si mesmo se justifica quando afirma em Lc 8, 21 a sua nova família e que nesta ocasião a louva em comparação com a família biológica. A fé está acima da biologia, assim como o espírito está acima da matéria.

Se vemos em Jesus o Mestre, estaremos a meio caminho da verdade. Ele pode afirmar que não é a carne nem o sangue os que devem ser intérpretes de seu evangelho mas somente os nascidos da vontade divina, como Ele próprio, os que constituem a sua verdadeira família.

O fato de seus familiares não acreditarem n’Ele, assim como os seus conterrâneos, é mais de agradecer do que de se surpreender.

Nesse fato encontramos uma razão para admirar os caminhos do Senhor que não considera os laços familiares como motivo de sua Providência.

São os menos favorecidos os que, como pequeninos e ignorantes, o encontram e, com Ele, descobrem o Pai comum. Nem por isso devemos renunciar o encontro com a sua Mãe que se transforma em mãe comum por não olhar unicamente o ventre que o carregou e o leite que o amamentou , mas a fé que nos comunica ao encontrar em Jesus não só o Deus, Filho do Pai do Céu e por isso também nosso Pai por ter sido dado à luz por uma mulher eternamente bem-aventurada.

Elevemos instantes súplicas à Mãe de Deus, exaltada sobre todos os Anjos e Santos, para que interceda junto do Seu Filho por todos os homens, até que se reúnam em paz e harmonia no único Povo de Deus, para glória da Santíssima e indivisa Trindade ( LG. 69).

Reflexão Apostólica:

Exaltar a mãe significa exaltar o filho. Jesus não rejeita à proclamação da mulher, mas a completa. A maior bem-aventurança é a fidelidade total à Palavra de Deus. Não se alcança a bem-aventurança através dos laços sanguíneos.

As genealogias características da ideologia de “povo eleito”, ostentadas pelas elites religiosas de Israel, nada valem. Os horizontes de Jesus vão além da ascendência de sangue.

É o Reino de Deus, reino da vida para todos, sem restrições de âmbito familiar ou de raça. Ouvir a Palavra e pô-la em prática é a bem-aventurança da inserção no Reino.
No âmbito familiar o amor à vida manifesta-se com os cuidados com a alimentação e a saúde, com a moradia saudável, com o conforto e a alegria, com a educação.

O colocar em prática as palavras de Jesus significa assumir a missão de transformar este amor em amor universal, no cultivo da vida entre os pobres excluídos e humilhados.

São muitos os bem-aventurados que, humildemente, se comprometem com esta missão, fazendo dos pobres sua própria família.
Nossa Senhora, antes deste acontecimento já havia proclamado isto quando visitou Isabel e rezou o Magnificat (Lc 1, 46-48): “minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora me proclamarão bem-aventurada todas as gerações.

Ser bem aventurado (a) é ser feliz, portanto quando Jesus respondeu àquela mulher que levantou a voz no meio da multidão, e felicitou aquela cujo ventre O havia guardado e cujos seios O haviam amamentado Ele estava confirmando o que Maria, Sua Mãe já havia anunciado ao mundo todo.

Portanto, Maria é a primeira discípula do próprio Filho e “modelo da Igreja na ordem da fé, da caridade e da união perfeita com Cristo” (LG 63)

Você também é feliz como Maria? Qual a influência que a Palavra de Deus tem exercido na sua vida?

O texto de hoje mostra como, uma mulher anônima, no seu silêncio, ao reconhecer a presença de Jesus, se anima a dar glória. Jesus, em contrapartida, mostra-lhe qual é a verdadeira grandeza aos olhos de Deus. Aqui vemos de maneira concreta o projeto de Jesus.

Hoje o evangelho nos convida a que sejamos Palavra viva, Palavra praticada, Palavra criadora. Escutar a Palavra de Deus é deixar-se guiar por ela, eliminando nossos egoísmos, nossa tendência de domínio, para que viva em nossa vida a fraternidade e a misericórdia. Tenhamos Maria como modelo, pois ela guardou, escutou e gerou a Palavra de Deus.

Propósito:

Pai, dá-me a graça de compreender sempre mais que a grandeza de Maria consistiu em ser fiel à tua Palavra acolhida e posta em prática com generosidade sem limites.


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