Publicado por: sidnei walter john | 4 de outubro de 2016

EVANGELHO DO DIA 5 DE OUTUBRO QUARTA FEIRA


05 outubro – No silêncio se cristalizam as grandes personalidades, assim como na concha humilde endurece a gota de orvalho que, transformada em pedra preciosa, ornará a fronte das filhas do rei. (L 23). São Jose Marello

5-ou-lucas-111-4Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 11,1-4

Um dia, Jesus estava orando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou a seus discípulos”. Ele respondeu: “Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja teu nome; venha o teu Reino; dá-nos, a cada dia, o pão cotidiano, e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todo aquele que nos deve; e não nos introduzas em tentação”.  

Meditação:

O foco da nossa oração esta no que vivemos, passamos ou somos assolados, mas o que de fato peço é o que preciso?

Sempre posso pedir a Deus (e Ele atenderá) que antecipe uma graça ou nos proteja do mal, mas muitas vezes pedimos que algo extraordinário aconteça para nos remir ou redimir de alguma coisa que deixamos de fazer ou que cabia a nós zelar. Isso esta no Pai Nosso “(…) Perdoa os nossos pecados, pois nós também perdoamos todos os que nos ofendem”.

Pedimos a Deus que nos mantenha firmes em meio a um mundo que aos poucos se esfria aos relacionamentos, a caridade, a fraternidade.

Esse nosso mundo, cada vez mais, paga com sua reluzente moeda, para que nos afastemos da solidariedade e abracemos o egoísmo, o hedonismo e o individualismo. O Pai Nosso, de certa forma, também previa isso “(…) E não deixes que sejamos tentados”.

Com a oração do Pai Nosso, Jesus quer que seus discípulos tenham consciência de sua condição de filhos de Deus. A oração do cristão é a oração de um filho que se dirige a Deus Pai com confiança filial. Ao chamar Deus de Pai Nosso, reconhecemos que a filiação divina nos une a Cristo, “primogênito entre muitos irmãos”, por meio de uma verdadeira fraternidade.

Por isso, a santidade cristã, ainda que sendo pessoal e individual, nunca é individualista ou egocêntrica: “se rezamos de verdade o Pai Nosso, saímos do individualismo, porque dele nos vem o amor que recebemos. Na oração do Senhor, após a invocação inicial (Pai Nosso que estais no céu), seguem sete pedidos.

Os três primeiros têm por objeto a glória do Pai: a santificação de seu nome, a vinda de seu Reino e o cumprimento de sua vontade. Os outros quatro apresentam ao Pai os nossos desejos: estas petições servem para nossa vida, para alimentá-la ou para curá-la do pecado, e se referem a nosso combate pela vitória do bem

Lucas é o evangelista que registra em maior número as ocasiões em que Jesus encontra-se em oração e a oração do Pai Nosso do Evangelho de hoje é bem resumida, mas aborda os principais pontos:

Pai nosso, (para nos aproximar do nosso Criador, e acabar com a imagem do Deus vingativo, mas trazer a imagem do misericordioso),

santificado seja o teu nome (este não é um pedido, mas é uma lembrança para nós mesmos honrarmos o seu nome).

Esse trecho talvez diga:
1°) AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS (Ex 20,2-5)
2°) NÃO TOMAR SEU SANTO NOME EM VÃO (Ex 20,7)
3°) GUARDAR DOMINGOS E FESTAS DE GUARDA (Ex 20,8-11)

Venha o teu Reino (também não é um pedido; se fosse um pedido, seria “Manda o teu Reino”; para vir o Reino é preciso que também seja feita a nossa parte, a d’Ele já foi feita). “(…) Venha o teu Reino…” O reino será visto quando voltarmos a…

4°) HONRAR PAI E MÃE (Ex 20,12)
5°) NÃO MATAR (Ex 20,13) – inclusive pelo desprezo, pela indiferença, pelo abandono, pela ingratidão…

Dá-nos, a cada dia, o pão cotidiano,  o pão de que precisamos (agora sim, um pedido… mas veja que não é pedido nada além do que o necessário… então o pão que você pegou a mais, é o que vai faltar para outra pessoa).

Isso só será possível quando pararmos de cobiçar o que não tenho; quando cessar a inveja que tenho daquele (a) que tem; quando eu respeitar que o outro também existe, que é filho de Deus e precisa do nosso respeito; que não aceitemos mais ver o irmão (ã) sendo vendido, exposto por dinheiro, por não ter tido alternativa na vida ou por falta de quem a orientasse…  Isso talvez esteja implícito em:

6°) NÃO PECAR CONTRA A CASTIDADE (Ex 20,14)
7°) NÃO ROUBAR (Ex 20,15) – inclusive os sonhos, oportunidades, chances…

e perdoa-nos os nossos pecados (quando devemos algo a alguém, e não temos com o que pagar, só nos resta pedir que perdoe as nossas dívidas, e ficamos devendo a nossa própria vida).

pois nós também perdoamos a todos aqueles que nos devem (onde está a consciência de quem tem a cara-de-pau de pedir perdão da sua dívida, sem ter perdoado a dívida que alguém possa ter com ele?);

e não nos introduzas em tentação (esse depende mais de nós do que d’Ele… afinal, Ele nos deu o livre arbítrio, e quando nos coloca em provação, testando a nossa fidelidade, é porque Ele quer nos dar algo maior, como fez com Jó).

Até mesmo aqueles que o mundo, as novelas, o dia-a-dia tentam nos dizer o contrário:

8°) NÃO LEVANTAR FALSO TESTEMUNHO (Ex 20,16) – inclusive a fofoca
9°) NÃO DESEJAR A MULHER DO PRÓXIMO (Ex 20,17)
10°) NÃO COBIÇAR AS COISAS ALHEIAS (Ex 20,17)

Rezar o PAI NOSSO é assumir um compromisso com os 10 mandamentos. É reconhecer primeiramente que Deus é tudo (Pai, que todos reconheçam que o teu nome é santo) e ao fim afirmar o quanto precisamos Dele em virtude da nossa fragilidade humana e pecadora para que permaneçamos em pé (E não deixes que sejamos tentados).

Quem trabalha ou empresta seu serviço em uma comunidade ou pastoral nunca pode esquecer que o dom que temos não é nada sem Deus, pois como o próprio PAI NOSSO, tudo começa Nele. Mesmo são Tiago dizendo que a fé sem obras é morta, as obras sem fé, sem mudança, sem amor, (…) são vazias.

É duro cumprir os dez mandamentos… Que o PAI NOSSO nos ajude a lembrá-los no dia-a-dia, e que um dia após o outro, sejamos mais próximos e dignos do que Deus quer. Agora da pra entender que não dá pra rezar o PAI NOSSO por rezar.

Fica claro que o “Pai Nosso” não “nasceu” como uma fórmula a ser decorada e recitada, como fazemos. Assim também rezamos a Ave Maria, a Oração do Santo Anjo, o Credo, o Magnificat e tantas outras…

Falamos a oração no nosso idioma, mas nem nós sabemos o que estamos dizendo… Para Deus vale muito mais aquela oração que sai do fundo do coração, e expressa a nossa verdadeira necessidade…

Se praticarmos a oração diariamente, como Jesus fazia, chegaremos a uma conclusão: tudo o que precisamos conversar com Deus, está na oração que Jesus ensinou… Inclusive, todos os nossos pedidos poderiam se resumir nestes três: dá-nos o pão necessário para cada dia, perdoa os nossos pecados e não nos deixes cair em tentação.

Reflexão Apostólica:

Jesus nos ensinou a rezar dando como modelo o Pai Nosso! Na oração do Pai nosso nós exaltamos a Deus e ao mesmo tempo entramos em comunhão com os filhos de Deus, nossos irmãos e irmãs.

Como filhos, nós pedimos ao Pai que a nossa vida aqui na terra aconteça do mesmo que modo que acontece no céu: uma refeição do amor!

O pão, o perdão e a santidade fazem parte da segunda parte do Pai Nosso. Jesus é o pão que nos alimenta na nossa caminhada e o perdão de Deus e aos irmãos é o nosso passaporte para alcançarmos a santidade que é a vontade de Deus acontecendo entre nós. Estes são os sinais que temos para termos o céu na terra.

O Pai-Nosso traz o espírito e o conteúdo fundamental de toda oração cristã. Rezemos hoje o Pai Nosso e reflitamos sobre tudo isso!

Esta oração se faz na intimidade filial com Deus (pai), apresentando-lhe os pedidos, mais importantes: que o Pai seja reconhecido por todos (nome); que sua justiça e amor se manifestem (Reino); que, na vida de cada dia, ele no dê vida plena (pão de amanhã); que ele nos perdoe como nós repartimos o perdão; que ele não nos deixe abandonar o caminho de Jesus (tentação).

Essa oração que Jesus nos deixou é de um significado enorme e completo entretanto podemos tirar dela um modelo de oração.

Muitas vezes temos vistos jogadores de futebol, antes do jogo, de mãos dadas rezando essa oração. Se verificarmos bem essa oração não tem nada a ver com jogo de futebol. Outros, após uma desgraça que aconteceu com um membro da família rezam também essa mesma oração.

Mas, o que é mesmo uma oração? É você se dirigir ao Pai, ter uma conversa íntima se entregando de corpo e alma, sem “arrudeios”, como dizem os mineiros.

Orar é conversar com o Pai com intimidade. É claro que essa oração tem um objetivo. Creio que os jogadores de futebol querem ali pedir ao Pai que lhes dê a vitória, que tudo sai bem. Mas deveriam conversar assim com o Pai, dizerem o que realmente querem.

A nossa oração não precisa ser com as mesmas palavras de Jesus, mas precisamos orar com a mesma sinceridade e fé que Ele tinha. Jesus veio como homem para, além de perdoar nossos pecados, mostrar o que um verdadeiro filho de Deus pode fazer, quando confia no poder que Deus lhe tem dado: O Espírito Santo.

Confiemos e sejamos sinceros! Deus conhece os nossos corações e sabe tudo o que vamos falar, mas Ele quer ouvir-nos, pois quando com a boca confessamos nossos pecados e humildemente pedimos perdão, estamos crucificando o nosso orgulho. Jesus nos ama! Sejamos humildes para ama-lo!

Propósito:

Pai, inspira-me a rezar como convém, de forma que a minha oração se expresse em gestos de solidariedade e de reconciliação, sinais inequívocos de minha comunhão contigo. Pai Nosso.


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