Publicado por: sidnei walter john | 22 de setembro de 2016

Evangelho do dia 24 de setembro sábado


24 setembro Nas coisas espirituais não só é permitido, mas é até forçoso aquele egoísmo santo, graças ao qual cada um sonha de se enriquecer o mais que pode dos tesouros espirituais, dos quais quanto mais se retira tanto mais se multiplicam; trata-se de um manancial ilimitado: por mais que se beba, ele nunca se esgota. (S 233).  São Jose Marello

24-set-lucas-9-43b-45Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 9,43b-46

Todos estavam admirados com o que Jesus fazia, e ele disse aos discípulos:
– Não esqueçam o que vou dizer a vocês: o Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens.
Mas eles não entenderam isso, pois o que essas palavras queriam dizer tinha sido escondido deles para que não as entendessem. E eles estavam com medo de fazer perguntas a Jesus sobre o assunto.
 


Meditação:

Os três evangelistas sinóticos registram três “anúncios da paixão”. São as falas de Jesus aos discípulos, enquanto caminhavam para Jerusalém, prevenindo-os sobre a previsível e fatal perseguição que sofreria nesta cidade.

Seguindo a leitura continuada de Lucas, encontramos dois fios condutores em aparente contradição. Por uma parte, as palavras e as obras de Jesus, ou seja, sua práxis, desperta grande admiração em alguns e profunda inquietação em outros, sobretudo em seus adversários.

Em segundo lugar, Jesus responde a esta admiração do povo com o anúncio de sua paixão. Duas posições opostas, pois se todo mundo o admira, então como é possível que vá padecer e morrer na cruz?

Certamente, a qualquer um de nós confundem estas situações opostas. Os discípulos não conseguem ligar a fama que Jesus está adquirindo com o anúncio de seu destino sofredor.

É que seguir um mestre assim torna-se cômodo e atrativo. Mas seguir um mestre que carregue a cruz até morrer nela como sinal do autêntico messianismo, torna-se pouco atraente e, pelo contrário, provoca confusão e rejeição.

Isso não acontece somente aos discípulos, mas a qualquer um de nós, pois é muito cômodo dizer que se segue a Jesus sem assumir sua cruz, mas quando se entende o que significa o seguimento, então se pensa duas vezes no fato. Estamos dispostos a seguir Jesus até a cruz?

Diante de tanta gente que procurava Jesus por causa das coisas que Ele fazia e das palavras que saíam de sua boca, Ele adverte aos seus discípulos que não ficassem com os olhos e as mentes na admiração e não se deixassem levar pela correnteza do povo que a Ele fluía.

Aquele que o povo procura ver, o homem que faz milagres, que alimenta o povo como que por “mágica” e não o Filho do Homem, o Filho do dono de tudo quanto existe, mas que para salvar os homens seus irmãos, deveria morrer numa cruz.

Cristo insiste em anunciar a Sua Paixão e Morte. Primeiro veladamente à multidão, e depois com mais clareza aos discípulos no Evangelho de hoje. Estes, porém, não entendem as Suas palavras, não porque não sejam claras, mas pela falta das disposições adequadas, pela falta de fé.

Talvez você também fique chocado: como é possível o Filho do dono da vida morrer? Se isso tiver de acontecer contigo é sinal de que ainda não chegou para ti o entendimento pleno do mistério do sofrimento, o significado da cruz. E então deves escutar o comentário de São João Crisóstomo: “Ninguém se escandalize ao contemplar uns Apóstolos tão imperfeitos, porque ainda não tinha chegado a Cruz nem tinha sido dado o Espírito Santo.”

Os discípulos tinham uma admiração e carinho extraordinários por Jesus. Percebendo isso, Jesus avisou-os: O Filho do Homem será entregue aos homens. Para nós, que sabemos o que Jesus passou da Quinta-feira Santa até a Crucificação, essa frase de Jesus é muito clara, mas o que tem de mais interessante no Evangelho de hoje é fazer o exercício de se colocar no lugar dos discípulos, e tentar entender o que se passava em seus corações e mentes.

O Evangelho de Lucas diz que os discípulos não alcançaram o sentido, e tinham medo de perguntá-lo a respeito. Eles não alcançaram o sentido porque não se passava em suas cabeças que Jesus poderia ser entregue à morte! E tinham medo de perguntá-lo porque sabiam que não iriam gostar do que iriam ouvir.

Os discípulos admitiram a fragilidade de não fazerem perguntas a Jesus sobre esse assunto porque tinham medo. Será que nós também não temos medo de saber sobre algum assunto desagradável?

Se os discípulos tivessem perguntado a Jesus sobre o que Ele estava falando, certamente poderiam ter se preparado melhor para os acontecimentos… Se o exame tivesse sido analisado a tempo, uma vida poderia ter sido salva… Se o assunto delicado tivesse sido conversado com calma, talvez muitos aborrecimentos pudessem ter sido evitados…

É preciso que o Filho do Homem seja entregue nas mãos dos homens para que nós tenhamos a vida e vida em plenitude.

E quem no-lo confirma é o próprio Jesus: se o grão de trigo caído na terra não morre, permanece só. Mas se morre dá muito fruto.

A vida autêntica vai ser entregue nas mãos dos homens, para que os homens a possuam. Pois, na lógica humana, só é vivo quem tem a vida e para nós a termos é necessário que alguém a conceda. E então se justifica a entrega da vida de Jesus aos homens.

É através de sua aceitação que se rompe com a ideologia de uma sociedade que busca sua segurança na acumulação do dinheiro e no poder opressor. Colocando-se a sua segurança em Deus encontra-se a felicidade e a liberdade para a construção da justiça e da paz.

Para muitos cristãos, a proximidade da morte e entrega generosa da vida por causa de Jesus ainda causa medo e temor; mas Jesus nos anima a continuar o caminho. Se formos verdadeiros discípulos, continuaremos com o mestre até a manhã da nossa Páscoa.

No Evangelho segundo João 10,10 Jesus diz: eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância. Como a teríamos em plenitude se Ele não morresse na cruz?

Reflexão Apostólica:

Quanta sutileza na mensagem que o Evangelho nos traz no dia de hoje…

Os discípulos tinham uma admiração e carinho extraordinários por Jesus. Percebendo isso, Jesus avisou-os: “O Filho do Homem será entregue aos homens.”

Para nós, que sabemos o que Jesus passou da Quinta-Feira Santa até a Crucificação, essa frase de Jesus é muito clara, mas o que tem de mais interessante no Evangelho de hoje é fazer o exercício de se colocar no lugar dos discípulos, e tentar entender o que se passava em seus corações e mentes…

O Evangelho de Lucas diz que “os discípulos não alcançaram o sentido, e tinham medo de perguntá-lo a respeito.” Eles não alcançaram o sentido porque não se passava em suas cabeças que Jesus poderia ser entregue à morte! E tinham medo de perguntá-lo porque sabiam que não iriam gostar do que iriam ouvir.

Os discípulos admitiram a fragilidade de não fazerem perguntas a Jesus sobre esse assunto porque tinham medo. E nós, será que também não temos medo de saber sobre algum assunto desagradável?

Na área da saúde, existem casos de pessoas que recebem um exame e guardam. Não querem saber o resultado. Como se isso ajudasse! E muitas vezes o problema poderia ser resolvido, se fosse tratado logo!

Ou então, os problemas de relacionamento entre marido e mulher, pais e filhos, irmão com irmão, namorado e namorada… que evitam falar sobre “aquele” assunto delicado, e ao invés de resolver logo o problema, vão adiando… até quando for possível.

Se os discípulos tivessem perguntado a Jesus sobre o que Ele estava falando, certamente poderiam ter se preparado melhor para os acontecimentos… Se o exame tivesse sido analisado a tempo, uma vida poderia ter sido salva… Se o assunto delicado tivesse sido conversado com calma, talvez muitos aborrecimentos pudessem ter sido evitados…

Por isso, CORAGEM! Se não entendeu, PERGUNTE! Se suspeita de alguma doença, PROCURE UM MÉDICO LOGO! Se um assunto importante ficou pendente, ESCLAREÇA! Não espere para resolver de última hora, pois dificilmente você vai ter a cabeça fria, o tempo necessário para pensar no que fazer, ou as condições físicas para reagir adequadamente…

E se precisar pedir ajuda, PEÇA! Você nem imagina quantas pessoas gostariam muito de poder ser útil a você…

   Propósito:

Senhor, dá-me a graça de entender que a vida autêntica de fé e de missão é entrega e doação plena como vós mesmos fizestes. Que eu seja um dom, uma doação para os meus irmãos e irmãs. O mistério da Cruz, que não é outro senão o mistério Pascal da salvação do mundo em Cristo morto e ressuscitado domina toda a vida de Jesus. Para os discípulos de todos os tempos, ele será sempre uma realidade misteriosa, difícil de ser acreditada. No entanto, é nele que se revela todo o mistério de Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador.


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