Publicado por: sidnei walter john | 20 de setembro de 2016

Evangelho do dia 21 de setembro quarta feira


21 setembro – Quando a paixão enfurece por dentro, é preciso calar. (S 177).São Jose Marello

21-set-mateus-99-13Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus  9,9-13

 Jesus saiu dali e, no caminho, viu um cobrador de impostos, chamado Mateus, sentado no lugar onde os impostos eram pagos. Jesus lhe disse:
– Venha comigo.
Mateus se levantou e foi com ele. Mais tarde, enquanto Jesus estava jantando na casa de Mateus, muitos cobradores de impostos e outras pessoas de má fama chegaram e sentaram-se à mesa com Jesus e os seus discípulos. Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos:
– Por que é que o mestre de vocês come com os cobradores de impostos e com outras pessoas de má fama?
Jesus ouviu a pergunta e respondeu:
– Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Vão e procurem entender o que quer dizer este trecho das Escrituras Sagradas: “Eu quero que as pessoas sejam bondosas e não que me ofereçam sacrifícios de animais.” Porque eu vim para chamar os pecadores e não os bons.
  

Meditação:

O Evangelho de hoje nos fala sobre a vocação de Mateus, ou seja, sobre Jesus que o chama para ser seu discípulo. Precisamos perceber que Jesus chama um pecador público. Isto era algo de extraordinário. Mas, o que significa esta expressão “pecador público“? Significa que alguém era considerado publicamente pecador, pois todos conheciam a sua conduta de pecado.

Os capítulos depois do Sermão da Montanha, ou seja, os capítulos 8 e 9, narram a atividade de Jesus. Diríamos assim que se trata do programa de vida que proclamou no Sermão da Montanha como felicidade e paz para o povo é o que ele realiza com suas atitudes e obras.

Dessa maneira, Mateus apresenta a atividade messiânica de Jesus no seio de seu povo. No meio desta atividade está situado o texto que a Igreja nos oferece para refletir neste dia. Cabe-nos perguntar por que o evangelista situa o chamado de Levi neste momento de sua narrativa.

Talvez a resposta esteja no último versículo que hoje lemos: Aprendam, pois, o que significa: ‘”Eu quero que as pessoas sejam bondosas e não que me ofereçam sacrifícios de animais.” Porque eu vim para chamar os pecadores e não os bons, ou seja, o evangelista acha necessário esclarecer que o centro da missão do Messias é buscar o que estava perdido, curar os doentes, libertar os cativos, proclamar o ano de graça de misericórdia do Senhor! (Lc 4, 18-19).

O que é certo é que no chamamento de Mateus o que interessa mesmo é perceber QUEM ele chama… Que Mestre estranho este, o de Nazaré, que começou por escolher discípulos entre pescadores iletrados da Galiléia quase pagã, e agora se vira até para os malditos, os impuros…

Depois disso testemunha-nos o próprio Mateus que houve festança lá em casa dele, sentados à mesa com Jesus comendo e bebendo ele e os seus amigos, aquela “laia” de gente…

E, terceiro ato desta peça, aparecem também os fariseus do costume… Chamavam-se a si próprios “fariseus”, que significa em hebraico “separados”, porque era assim que construíam o caminho da santidade e da perfeição piedosa que o deus deles lhes propunha… E chamavam-lhe o “Deus de Israel”, sem sequer se darem conta da história do seu próprio povo, cheia de infidelidades e impurezas, fugas e idolatrias com as quais o Deus de Israel sempre teve que lidar sem Se enojar ou separar deles…

Mas pronto, às vezes esquecem-se estas coisas que parece que só são evidentes para os sábios e para os profetas.

Não podiam aproximar-se da laia de Mateus… Ficariam eles próprios impuros e precisariam de realizar depois os seus rituais de purificação. Não podiam de maneira nenhuma entrar em casa de um maldito! Seria chamar sobre si a maldição… Mas também não podiam deixar de “picar” o novo e estranho Rabbi de Nazaré que se comportava como Profeta e que alguns começavam a dizer ser o Messias das esperanças judaicas…

Então, diz o evangelista, foram ter com os discípulos de Jesus e perguntaram-lhes: “Por que é que o mestre de vocês come com os cobradores de impostos e com outras pessoas de má fama?”

E isto toca-me muito… Mas onde raio estavam os discípulos de Jesus para os fariseus poderem falar com eles?!

Não estavam na festa! Não eram só os fariseus a terem dificuldade em entender as escolhas de Jesus… os seus próprios discípulos ainda ficavam à porta! No início dos relatos evangélicos isso é claro. A dinâmica do Reino de Deus a acontecer diante dos seus olhos provocava neles um desconforto e uma incompreensão que só compreende bem quem já a sentiu na pele.

A novidade do Reino de Deus a acontecer parecia enigmática quando Jesus o propunha na forma de algumas parábolas… parecia uma utopia exigente demais, às vezes, quando Jesus o propunha em forma de ensinamento, como quando proclamou as Bem-Aventuranças… parecia uma força interior inexplicável quando Jesus o testemunhava nos seus encontros libertadores com as pessoas… mas o Reino de Deus parecia um escândalo quando Jesus o proclamava presente pela convivialidade com os impuros, pelo perdão aos pecadores públicos, pela amizade com os malditos.

Por isso é que os fariseus foram ter com eles… porque sabiam que eles eram discípulos daquele Mestre, mas viam que não estavam lá dentro com ele…

Vamos dar um salto de dois mil anos… Hoje… Jesus… quanta espécie de “malditos” há por aí… quantos “impuros” ainda segundo as leis, lógicas e preconceitos dos “puros”… quantos “pecadores públicos” no contexto de um povo que ainda tem presenças farisaicas muito fortes…

Mateus e a sua “laia” continuam aí… Jesus, tenho a certeza absoluta que também! E que continua a sentar-se à mesa com eles depois de os visitar nas suas próprias bancas quotidianas… Os fariseus, ui ui… que também ainda por aí andam… e os discípulos de Jesus… esses também… e parece-me que, na maior parte das vezes, ainda no mesmo sítio. Somos dele, mas não estamos com ele…

Vamos mas é voltar lá para trás, para o relato de há dois mil anos porque sempre é mais “confortável”… Jesus sabia bem os discípulos que tinha… Amava-os assim e confiava neles.

Por isso estava sempre atento, e o que encontramos muitas vezes na primeira etapa dos evangelhos é que os fariseus vão fazer perguntas venenosas aos discípulos de Jesus, e ele NUNCA os deixa responder.

Ele bem sabia que não estavam preparados… Que as perguntas dos fariseus andavam a bailar também dentro deles, com a única diferença de que era sem veneno…

Jesus deu-se conta do “burburinho” e pôs-se do lado dos seus. Quem eram os seus? Os que estavam consigo à mesa e os discípulos… Defendeu os dois grupos: “Não são os sãos que precisam de médico, mas os doentes! Eu não vim para chamar os piedosos, mas os pecadores”…

Jesus respondeu-lhes de maneira a que eles entendessem, pelo menos os que tivessem Coração capaz disso. Por isso é que usa palavras claramente deles, não suas, como a palavra “pecadores”.

Jesus não gostava desta palavra. NUNCA a usa nos evangelhos a não ser para responder aos fariseus quando o “picam” com estas coisas dos “pecadores”, como eles lhes chamavam… Jesus responde-lhes numa linguagem que eles entendam, responde-lhes com as suas próprias palavras… Mas não a encontras na boca de Jesus em nenhum outro contexto!

Interessante, não é?…

Reflexão Apostólica:

Jesus chamou para ser dos seus um tal de Mateus, cobrador de impostos, o que na altura significava ser pecador público, considerado maldito e impuro.

Eram traidores do seu povo, pois cobravam os impostos para os colonizadores romanos… Além disso, naqueles tempos parece que abundava essa antiga arte de “meter ao bolso”, coisas próprias dos antigos, claro, que hoje isto não acontece, não senhor…

O Evangelho de hoje nos diz que Jesus viu primeiro. Referindo-se a Mateus, é vê-lo na sua situação cotidiana: Jesus saiu dali e, no caminho, viu um cobrador de impostos, chamado Mateus, sentado no lugar onde os impostos eram pagos.

O olhar de Jesus é capaz de ir além do que um simples olhar enxerga de um judeu cobrador de impostos. Ele reconhece em Mateus um filho muito querido de Deus, e isso é o que Ele comunica primeiro para o cobrador de impostos. Seu olhar sobre Mateus está carregado da ternura e misericórdia de Deus Pai-Mãe, que cura as feridas e perdoa os pecados, amando-o incondicionalmente.

Jesus continua e diz para ele: “Segue-me!”. Abre-se diante de Mateus a possibilidade de um caminho novo, impensável até esse momento. É convidado a deixar de ser uma engrenagem do império opressor, para passar a ser íntimo colaborador na construção de um reino de liberdade, justiça e solidariedade.

Deixemos que Jesus passe e nos olhe no nosso dia-a-dia e, como Mateus, tenhamos a coragem de acolher esse olhar e a proposta que dele brota.

Sem dúvida, nossa vida passará a ser diferente e poderemos também ser parte deste círculo aberto, inclusivo e integrador de amigos e amigas de Jesus que continuam lutando pela sua mesma paixão: o ser humano e a casa em que ele habita!

Propósito:

Senhor Jesus, faze-me trilhar o caminho da solidariedade, para que eu me aproxime daqueles aos quais deve ser levada a salvação.

 Meditação: 

O Evangelho de hoje nos fala sobre a vocação de Mateus, ou seja, sobre Jesus que o chama para ser seu discípulo. Precisamos perceber que Jesus chama um pecador público. Isto era algo de extraordinário. Mas, o que significa esta expressão “pecador público“? Significa que alguém era considerado publicamente pecador, pois todos conheciam a sua conduta de pecado.

O chamado de Mateus é feito no estilo tradicional da vocação profética. Uma breve exortação imperativa ao seguimento é seguida de uma adesão imediata.

Na realidade, o processo de conversão decorre de um certo tempo de relacionamento com Jesus. O simples levantar-se e seguir indica uma mudança na vida daquele coletor de impostos.

Os capítulos depois do Sermão da Montanha, ou seja, os capítulos 8 e 9, narram a atividade de Jesus. Diríamos assim que se trata do programa de vida que proclamou no Sermão da Montanha como felicidade e paz para o povo é o que ele realiza com suas atitudes e obras.

Mateus apresenta a atividade messiânica de Jesus no seio de seu povo. No meio desta atividade está situado o texto que a Igreja nos oferece para refletir neste dia. Cabe-nos perguntar por que o evangelista situa o chamado de Levi neste momento de sua narrativa.

Talvez a resposta esteja no último versículo que hoje lemos: Aprendam, pois, o que significa: ‘Eu quero a misericórdia e não o sacrifício’. Porque eu não vim para chamar justos e sim pecadores, ou seja, o evangelista acha necessário esclarecer que o centro da missão do Messias é buscar o que estava perdido, curar os doentes, libertar os cativos, proclamar o ano de graça de misericórdia do Senhor! (Lc 4, 18-19).

Este é o reino que Jesus vem inaugurar e comunicar com sua vida, morte e ressurreição. E para ser partícipes e, mais ainda, colaboradores na expansão deste reino, todos(as), sem exceção, são convidados de uma maneira ternamente pessoal, rompendo qualquer norma ou preconceito que deixe alguém fora do âmbito deste reino.

Se olharmos agora para Levi, cobrador de impostos, é, sem dúvida, uma das pessoas que na época de Jesus sofriam a exclusão.

Não eram queridos pelo povo por causa de seu trabalho ganancioso. Eram considerados impuros por parte das autoridades religiosas judaicas, e para o império romano não eram mais que um dos últimos degraus na escada da opressão que exerciam sobre o povo.  Por essa razão, é escandaloso para os judeus e também para os discípulos de Jesus, que ele chame Mateus para ser seu seguidor! E, como se isso não bastasse, vai à sua casa e se senta à sua mesa.

Se considerarmos a casa como símbolo da história da pessoa, e partilharmos sua mesa assim como a sua intimidade, podemos entender que o evangelista está mostrando que Jesus, quando chama Mateus, o faz dentro de sua própria história com suas luzes e sombras.

A resposta que Jesus dá aos fariseus revela seu conhecimento da vida de Mateus, que o faz “merecedor” de uma atenção privilegiada por parte dele: As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes.

Esta maneira de olhar que Jesus tem é, por assim dizê-lo, revolucionária porque está carregada de compaixão e misericórdia. Por isso, não julga nem condena o cobrador de impostos, antes é capaz, sendo conhecedor de sua fraqueza e também de seus erros, de convidá-lo para uma vida diferente que brota da amizade com Ele.

E aqui podemos nos lembrar das palavras do Evangelho de João, quando Jesus fala da amizade: ”eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que o ouvi de meu Pai” (Jo15,15b).

O Evangelho de hoje nos diz que Jesus viu primeiro. Referindo-se a Mateus, é vê-lo na sua situação cotidiana: Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos. Mas o olhar de Jesus é capaz de ir além do que um simples olhar enxerga de um judeu cobrador de impostos. Ele reconhece em Mateus um filho muito querido de Deus, e isso é o que Ele comunica primeiro para o cobrador de impostos. Seu olhar sobre Mateus está carregado da ternura e misericórdia de Deus Pai-Mãe, que cura as feridas e perdoa os pecados, amando-o incondicionalmente.

Jesus continua e diz para ele: “Segue-me!”. Abre-se diante de Mateus a possibilidade de um caminho novo, impensável até esse momento. É convidado a deixar de ser uma engrenagem do império opressor, para passar a ser íntimo colaborador na construção de um reino de liberdade, justiça e solidariedade.

Deixemos que Jesus passe e nos olhe no nosso dia-a-dia e, como Mateus, tenhamos a coragem de acolher esse olhar e a proposta que dele brota.

Sem dúvida, nossa vida passará a ser diferente e poderemos também ser parte deste círculo aberto, inclusivo e integrador de amigos e amigas de Jesus que continuam lutando pela sua mesma paixão: o ser humano e a casa em que ele habita!

 Reflexão Apostólica:

Mateus é para nós o exemplo que pessoas podem mudar sua história se tiverem oportunidade, fé e vontade.

Ele não tinha doenças, não há relatos de dívidas, ou problemas familiares, tinha uma vida financeira compatível com a função de arrecadador de impostos, (…); se não tinha problemas por que ele seguiu Jesus se uma boa parcela das pessoas ainda o procura por interesse? O que teria acontecido para se encantar ao ponto de escrever e relatar tudo o que viu e ouviu daquele homem de Nazaré?

O evangelista não narra qual foi a conduta dos outros que participaram do jantar, se converteram não sabemos, se permaneceram do mesmo jeito também não se sabe, mas uma coisa é concreta: Todos naquela mesa tiveram a mesma chance, tiveram o mesmo acolhimento, a mesma atenção, (…) Acredito que aquele jantar mudou, de alguma forma, a vida deles.

Quem por ventura já ficou cara a cara com Jesus e não foi tocado. Quantos que um dia de desespero, angústia, aflição, ao ver a porta de uma igreja aberta teve vontade de entrar e nunca mais quis sair?

Assim também fomos ou ainda seremos rendidos, encantados…

Jesus se aproxima de Mateus não com a intenção de convencê-lo ou impor algo. Jesus talvez tenha realmente mudado a história de vida de Mateus quando entrou em sua casa, partilhou da sua mesa, do que comia, conheceu seus amigos, sua realidade; quando conflitou quem de fato era o Homem Mateus e não aquilo que falavam dele.

Talvez convenceremos mais quando conseguirmos entrar na vida daqueles que convivemos. Quanta gente precisa de uma visita e não necessariamente em suas casas e sim em suas vidas?

Visitar é também ouvir, aconselhar, sugerir, apoiar, ser cúmplice…

Sim! CÚMPLICES!! Deus às vezes nos põe no caminho de pessoas com a função de reanimá-las. Se cada um que foi convidado por Jesus a ceiar desse banquete fosse inquieto a ação do Espírito Santo, conseguiríamos chegar a lugares ainda mais distantes e o som das palavras de Deus, poderiam ajudá-los a continuar corajosamente a enfrentar as dificuldades, aos abatimentos, a solidão, (…).

Perante o que a vida, o trabalho e as oportunidades ofereciam a Mateus, e em contra partida ao “pouco” que lhe foi oferecido (um simples convite), chegamos a conclusão que o que Jesus ofereceu a ele era realmente o que ele mais queria. O próprio Mateus deixa claro isso ao citar no seu próprio evangelho, algo que Jesus falou e o tocou. Mateus assim escreveu:

A todos e com todos Jesus senta à mesa, mas a mudança só acontece com aquele que se dispõe também a ir além de somente ouvir palavras de conforto. Diz um palestrante renomado sobre motivação que ninguém é motivado se não se motivar também. Mateus ouviu, pôs a mesa do seu raciocínio o que tinha e o que viria a ter e fez uma opção. Um exemplo prático: Continuar a beber ou a fumar vale a pena em meio ao que isso pode nos causar? Adianta ir ao grupo de oração ou a missa pedir uma cura se não estou disposto a ajudar no milagre é meio irracional.

Quanto a ser agente da mudança, sim! Seja cúmplice do resgate! Se tiver dentro de sua compreensão, ajude a quem precisa sem olhar para trás. Ouvir e aconselhar normalmente poupam vidas! Para alguns pode ser perca de tempo, mas para quem se importa é ganhar a vida.


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