Publicado por: sidnei walter john | 9 de setembro de 2016

EVANGELHO DO DIA 11 DE SETEMBRO – 24º DOMINGO DO TEMPO COMUM


11 Setembro – As inquietações, convençamo-nos bem disso, sempre veem da parte do demônio. (L 19). São Jose Marello

11-set-lucas-15-1-32Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 15,1-33 ou 1-10

Certa ocasião, muitos cobradores de impostos e outras pessoas de má fama chegaram perto de Jesus para o ouvir. Os fariseus e os mestres da Lei criticavam Jesus, dizendo: 
– Este homem se mistura com gente de má fama e toma refeições com eles. 
Então Jesus contou esta parábola: 
– Se algum de vocês tem cem ovelhas e perde uma, por acaso não vai procurá-la? Assim, deixa no campo as outras noventa e nove e vai procurar a ovelha perdida até achá-la. Quando a encontra, fica muito contente e volta com ela nos ombros. Chegando à sua casa, chama os amigos e vizinhos e diz: “Alegrem-se comigo porque achei a minha ovelha perdida.” 
– Pois eu lhes digo que assim também vai haver mais alegria no céu por um pecador que se arrepende dos seus pecados do que por noventa e nove pessoas boas que não precisam se arrepender. 
Jesus continuou: 
– Se uma mulher que tem dez moedas de prata perder uma, vai procurá-la, não é? Ela acende uma lamparina, varre a casa e procura com muito cuidado até achá-la. E, quando a encontra,convida as amigas e vizinhas e diz: “Alegrem-se comigo porque achei a minha moeda perdida.” 
– Pois eu digo a vocês que assim também os anjos de Deus se alegrarão por causa de um pecador que se arrepende dos seus pecados. 
E Jesus disse ainda: 
– Um homem tinha dois filhos. Certo dia o mais moço disse ao pai: “Pai, quero que o senhor me dê agora a minha parte da herança.” 
– E o pai repartiu os bens entre os dois. 13Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntou tudo o que era seu e partiu para um país que ficava muito longe. Ali viveu uma vida cheia de pecado e desperdiçou tudo o que tinha. 
– O rapaz já havia gastado tudo, quando houve uma grande fome naquele país, e ele começou a passar necessidade. Então procurou um dos moradores daquela terra e pediu ajuda. Este o mandou para a sua fazenda a fim de tratar dos porcos. Ali, com fome, ele tinha vontade de comer o que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. Caindo em si, ele pensou: “Quantos trabalhadores do meu pai têm comida de sobra, e eu estou aqui morrendo de fome! Vou voltar para a casa do meu pai e dizer: ‘Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho. Me aceite como um dos seus trabalhadores.’ ” Então saiu dali e voltou para a casa do pai. 

– Quando o rapaz ainda estava longe de casa, o pai o avistou. E, com muita pena do filho, correu, e o abraçou, e beijou. E o filho disse: “Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho!” 
– Mas o pai ordenou aos empregados: “Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Ponham um anel no dedo dele e sandálias nos seus pés. Também tragam e matem o bezerro gordo. Vamos começar a festejar porque este meu filho estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado.” 
– E começaram a festa. 
– Enquanto isso, o filho mais velho estava no campo. Quando ele voltou e chegou perto da casa, ouviu a música e o barulho da dança. Então chamou um empregado e perguntou: “O que é que está acontecendo?” 
– O empregado respondeu: “O seu irmão voltou para casa vivo e com saúde. Por isso o seu pai mandou matar o bezerro gordo.” 
– O filho mais velho ficou zangado e não quis entrar. Então o pai veio para fora e insistiu com ele para que entrasse. Mas ele respondeu: “Faz tantos anos que trabalho como um escravo para o senhor e nunca desobedeci a uma ordem sua. Mesmo assim o senhor nunca me deu nem ao menos um cabrito para eu fazer uma festa com os meus amigos. Porém esse seu filho desperdiçou tudo o que era do senhor, gastando dinheiro com prostitutas. E agora ele volta, e o senhor manda matar o bezerro gordo!” 
– Então o pai respondeu: “Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que é meu é seu. Mas era preciso fazer esta festa para mostrar a nossa alegria. Pois este seu irmão estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado.” “

Meditação: 

O capítulo 15 do evangelho de Lucas inicia com uma ampla série de parábolas denominadas tradicionalmente como parábolas da misericórdia: a ovelha perdida (vv. 1-7), a moeda perdida (vv. 8-10) e o filho pródigo ou melhor dizendo, o pai misericordioso (vv.11-32). As duas primeiras estão construídas sobre o mesmo esquema. Desde o v. 1 se nos apresenta uma nota que fala dos destinatários. Jesus se dirige a “publicanos e pecadores”, mas estão presentes também os fariseus e os mestres da Lei que murmuram por que Jesus acolhe os pecadores e come com eles.

Desde o início se nota um forte contraste através do qual se ressalta este desgosto dos fariseus, tipificados depois na figura do irmão maior. A ovelha perdida, a dracma perdida, o filho pródigo, são, por sua vez, tipificações dos publicanos e pecadores, que Deus busca insistentemente e acolhe. Estas parábolas se convertem em denúncia e crítica social por parte de Jesus às autoridades do povo que desprezam “este tipo de pessoas”. Uma denúncia mordaz, através da qual Jesus declara a preferência de Deus por esses marginalizados da sociedade.

Ao final, em cada parábola se insiste num dos temas mais queridos de Lucas: a alegria. Neste caso a alegria do céu pelo pecador arrependido. Jesus não tapa o sol com a peneira negando a situação moral dos publicanos e pecadores. O que interessa é salvar o que estava perdido, seja como for, dispor-se à difícil missão de ressuscitar e dar vida a quem parece estar morto e sem esperança. E esta é uma opção radical personificada na pessoa de Jesus, que veio para buscar e salvar o que estava perdido. Jesus carrega em sua pessoa a opção de Deus pelos pecadores. Opção não por seu pecado mas por sua situação de extravio.

Neste sentido estas parábolas, que têm um tom penitencial, nos deixam entrever por sua vez o caráter festivo do sacramento da reconciliação ou qualquer ato que implique a mudança positiva de uma pessoa, o retorno à casa, o retorno à vida.

Vejamos o texto em duas partes fundamentais e examinemo-lo mais detalhadamente (Lc 15, 1-7 e 15, 8-10):

Na primeira parte: Lc 15, 1-7 encontramos uma imagem tipicamente bíblica. Trata-se da figura do rei-pastor que sai para resgatar uma ovelha (1Sm 17, 34-36; Ez 34, 11-16). As noventa e nove ficam em segundo lugar, enquanto a perdida é carregada nos ombros (como em Is 40,11). Trata-se de um por cento de suas ovelhas; entretanto alegra-se com uma alegria contagiante e incontida, como se tivesse uma relação pessoal com a ovelha e não somente econômica (2Sm 12,1-4). É a alegria que chega ao céu. A expressão é audaciosa: há mais alegria (festa) no céu por um pecador que se arrepende…

A segunda parte: 15,8-10 nos apresenta um segundo caso. Uma mulher pobre perdeu uma décima parte de seus bens. Mesmo que esta parábola seja mais sóbria e modesta que a primeira, a alegria é proporcionalmente a mesma. Nesta parábola, mais que falar de “alegria do céu” fala-se da “alegria dos anjos de Deus”.

Nas duas parábolas se destacam fortemente os detalhes de um drama de busca e encontro gozoso. Veja-se todo este drama em seu conjunto.

O autor tenta chamar a atenção sobre os cuidados que tem o dono ou proprietário (da ovelha ou da dracma): “deixa as noventa e nove, vai em busca da perdida até encontrá-la, ao encontrá-la, muito feliz, põe-na em seus ombros e reúne amigos e vizinhos e lhes convida a alegrar-se e fazer festa”.

“A mulher que perde a dracma: acende uma luz, varre a casa, busca-a cuidadosamente até encontrá-la; depois reúne suas amigas e vizinhas e lhes convida a alegrar-se e fazer festa.

Jesus, que nestas parábolas nos fala da misericórdia de Deus Pai, foi ele mesmo reflexo e revelação dessa misericórdia. Enumerar os gestos de Jesus que nos evocam sua misericórdia. Orígenes dizia: “Deus é aquilo que uma pessoa põe acima de todas as coisas “.

Qual pode ser hoje a idolatria mais comum? Como podemos viver a misericórdia de Deus, de que nos falam estas parábolas? Como podemos viver essa misericórdia em escala histórica, na construção da história, ou seja, exercendo a misericórdia com os povos crucificados, tomando posição perante o drama histórico que os crucifica?

As duas parábolas, incluída a do Pai misericordioso (= do filho pródigo), demonstram como tema central o empenho que Deus pelas minorias marginalizadas. Certamente que o Pai das misericórdias ama a todos, sem excluir ninguém. Mas não menos certa é sua opção preferencial (não exclusiva nem excludente) pelos necessitados, marginalizados, pecadores.

É por isso que a missão da Igreja, como continuação da missão de Jesus, deve realizar-se e revisar-se na mesma linha, para que seja uma autêntica missão que sintonize e prolongue as palavras e ações de Jesus no tempo e no espaço.

A alegria pelos resultados obtidos é uma nota característica dos missionários. O próprio sacramento da reconciliação deve converter-se em festa para todos os que fazem parte desta comunidade que experimenta as alegrias do céu.

Reflexão Apostólica:

Os cristãos, nas circunstancias atuais, andamos desconsertados. Uma onda crescente de materialismo nos invade, morreram quase todas as velhas utopias, uma política monetarista e de realismo cruel se impõe em todos os níveis; a sociedade se seculariza a passo forçado, parece como se a barca de Pedro – a Igreja, comunidade de comunidades – fosse afundar.

Diante disso, os que ainda fazemos parte do redil, temos a tendência a refugiar-nos para formar um círculo fechado. Muitos já foram, e deles nos despedimos com tristeza e resignação. Outros não entram no aprisco, porque o panorama não os atrai. Ficamos uns poucos, voltados sobre nós mesmos, nos dedicamos a salvar-conservar o que nos resta, já que muito já foi perdido.

Dá a impressão de que se foram as noventa e nove ovelhas, ficando apenas uma, cuja atenção e conservação estamos dedicados por inteiro. Duas parábolas do evangelho de Lucas, a da ovelha perdida e a da mulher que perdeu a moeda, e uma terceira, a do filho pródigo, convidam a uma mudança de tática e de estratégia pastoral.

Por maus tempos que corram, por muita adversidade que nos rodeie, por muito grande que seja a onde de secularismo que nos invade, os cristãos não podemos dedicar-nos a conservar o que temos, pois cada vez iremos perder mais.

A atitude cristã tem que ser arriscada, ainda que não insensata: é preciso deixar bem guardado o que já temos e sair do aprisco para buscar a ovelha perdida; é preciso varrer a casa para encontrar a moeda escondida entre as ranhuras das pedras do solo; é preciso receber com braços abertos o filho que se foi e, quando isto aconteça, é preciso fazer uma grande festa.

O que acontece é que, com freqüência, não estamos dispostos a isso. É incômodo para nós sair e buscar a ovelha perdida ou varrer toda a casa para encontrar uma única moeda. Assemelhamo-nos ao filho mais velho da parábola que preferia a ausência de seu irmão e não viu com bons olhos a acolhida do pai. Aquele filho mais velho não aprendeu o fundamental. Enquanto em uma família falta um irmão, ela está incompleta. Não é possível nem a alegria nem a festa, ou estas são passageiras e fugazes.

O plano de Deus de restaurar a família, dividida desde Caim, exige capacidade imensa de esquecimento e perdão. E ele não estava disposto a perdoar, porque tampouco havia aprendido a amar. Quem ama, perdoa sempre, releva sempre, esquece sempre. Por isso necessitou da ação magistral do pai, imagem de Deus que acolheu o irmão mais novo, mandou vesti-lo das melhores roupas e organizou uma festa por ter voltado.

Talvez por isso nossas comunidades não tenham muita alegria: há muitos irmãos que estão faltando… Falta tanto interesse em buscá-los e acolhê-los de volta… Não é estranho que, com essa estratégia de conservar e cuidar do que temos, antes ou depois perdemos tudo.

A promessa de Deus a Abraão, lembrada na primeira leitura deste domingo, continua vigente: “Multiplicarei vossa descendência como as estrelas do céu…”. Deus fala de multiplicar e não de dividir ou deixar por menos. Esse Deus – que está disposto inclusive a perdoar seu povo, que enquanto Moisés subiu ao monte, se esqueceu de Deus – ele mantém a palavra.

Porém, esta promessa requer – para que se torne realidade – nossa participação ativa, buscando a ovelha e a moeda perdidas e acolhendo o irmão que se foi, porém que volta arrependido. Nossa comunidade tem que estar voltada para fora por natureza.

Paulo, na segunda leitura (1Tm 1,12-17), dá graças a Deus, porque experimentou em si mesmo sua compaixão e perdão, confiando-lhe o ministério de anunciar o evangelho aos pagãos, não que esses tenham ido, mas que não tinham pertencido nunca à comunidade e aos que é preciso anunciar o evangelho.

Não podemos ficar trancados em nós mesmos, temos que sair e buscar os que nos deixaram ou os que nunca ouviram a mensagem do Senhor para convidá-los à festa da comunidade.

Propósito:

Deus, Pai e Mãe de misericórdia, que deixais as noventa e nove ovelhas e saís para buscar a ovelha extraviada: dai-nos a graça de imitar-vos com entranhas de verdadeira misericórdia em nossa vida. Espírito que possibilita a conversão, mantém meu coração aberto aos pecadores, confiante de que são atraídos pela misericórdia do Pai.


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