Publicado por: sidnei walter john | 2 de setembro de 2016

EVANGELHO DO DIA 4 DE SETEMBRO – 23º DOMINGO DO TEMPO COMUM


04 setembro Banimento aos escrúpulos, que são a peste, repito, a peste da vida espiritual: é preciso sufocar no nascer todo desejo fantasioso; não voltar atrás para refazer o caminho; não correr adiante demais, nem se demorar demais para ver se o passo foi acertado; confiança em Deus que está ao nosso lado para corrigir nossos erros, inevitáveis mesmo quando temos a melhor intenção do mundo. (L 168).  São Jose Marello

4 set Lucas 14, 25-33Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 14,25-33

 Naquele tempo, 25grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26“Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo.
28Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário,29ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’
31Ou ainda: Qual rei que, ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. 33Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!” 

Meditação

O evangelho do dia de hoje apresenta as condições ou exigências para ser discípulo de Jesus; exigências que em nosso momento atual são de grande importância, pois vivemos um tempo em que a experiência de fé foi reduzida a “ir à missa”, a uma fé totalmente desconectada dos problemas sociais e econômicos que vive o mundo de hoje, uma fé temerosa do compromisso e da entrega total pelos irmãos.

Quando Jesus fala de relativizar a família, de deixar pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, está se referindo à necessidade de edificar um novo sistema de relações, um novo modelo de sociedade em que a fraternidade, a solidariedade, o serviço são fundamentais e em que toda a estrutura, incluída a família, esteja em função de construir esse novo tipo de sociedade e não o contrário.

O seguidor de Jesus está convocado a ser partícipe desta nova sociedade, onde o principal é tornar presente na história o reinado de Deus, o qual exige mudança de valores e de prioridades: renunciar a todos seus bens, quer dizer, renunciar a todo tipo de segurança para poder colaborar livremente e sem impedimentos na grande obra de Deus.

Como conseqüência de tudo o que Jesus disse e fez ao longo de seu ministério e particularmente nesta viagem a Jerusalém, vem agora uma apresentação clara e direta das condições para segui-lo, um seguimento que não pode ser de simples simpatia com ele e sua causa, mas que exige mudanças verdadeiramente radicais.

Do trecho que lemos hoje, podemos extrair três condições que são, além disso, muito claras e que não admitem ambigüidades. Primeira, odiar a própria família; segunda, carregar sua própria cruz; terceira, renunciar aos bens. Quem faz isto pode estar seguro de que está apto para o seguimento de Jesus.

Causas e conseqüências desta tríplice exigência:

A primeira exigência contém, implícita, a denúncia contra o rigor da instituição familiar no tempo de Jesus. Não há nenhuma posição antinatural de Jesus contra os entes queridos. Pelo contrário, ao preocupar-se Jesus com o indivíduo, a pessoa, sua intenção é, no fundo, sanar uma instituição natural que com o tempo se converteu em reduto de tirania e domínio de alguém: o patriarca/pai sobre a esposa e os filhos, com a conseqüência mais clara: desumanização, infantilismo, dependência…

Jesus convida a odiar – esse é o verbo utilizado –, mas o ódio não é ao pai como tal, ou à mãe e aos irmãos ou a si mesmo; odiar, não obstante sua forte conotação, entende-se rejeição, ruptura completa com a totalidade da estrutura familiar como centro e figura de domínio. Segue-se a Jesus na liberdade e para a liberdade: liberdade na opção, liberdade no seguimento. Não há indício de escapismo nem evasão, Jesus não convida à fuga, exige renúncia e ruptura com aquela atitude de dependência; é a pessoa, o indivíduo quem tem de enfrentar sua própria vida, seu próprio crescimento. Daí, a segunda exigência: “carregar” sua própria cruz.

Aquele que tiver sido capaz de “odiar” a estrutura que o prendia, minimizava-o e o tornava inválido, por assim dizer, terá como desafio um caminho a percorrer, suportar por si mesmo e conduzir o destino de sua vida, “levando-o”, dia após dia, com uma freqüência que certamente se apresenta às vezes difícil, em que se sente a tentação de outros o levarem nosso lugar. No seguimento de Jesus não pode haver dependência.

Outra forma de dependência desumanizante que é desmascarada também aqui é o apego aos bens materiais, às riquezas. Não se conclui necessariamente por esta passagem do Evangelho que ser rico seja pecado, esse não é o juízo que faz Jesus; a denúncia concreta é: os bens materiais, entendidos como riqueza, transformada em opção de vida, desumanização das pessoas, tornam-na também dependente e, portanto, não apta para o seguimento de Jesus. Não basta, então, renunciar ou romper com a instituição ou estrutura que escraviza, é preciso saber romper também com o sistema de vida, se este for inumano, e não permitir uma realização integral do indivíduo.

Dizemos que estas exigências tais como as apresenta o Evangelho, não se prestam a qualquer ambigüidade. Contudo, sabemos que, na maioria das vezes, a ambigüidade se apresenta e domina o indivíduo. Jesus previne seus seguidores para que essas ambigüidades não cheguem a converter-se em fracasso, e o faz valendo-se de novo de duas parábolas: a do construtor que não pôde concluir a torre e a do rei que vai para a guerra e se rende sem sequer lutar.

Ambas as parábolas refletem a situação interna da comunidade de Lucas. Ainda havia restos de dependência em alguns seguidores deste “novo caminho”: da família e, pior ainda, dos bens materiais.

Reflexão Apostólica:

Seguir a Jesus e continuar o seu projeto é viver um clima novo na relação com as pessoas, com as coisas materiais e consigo mesmo. Trata-se de assumir com liberdade e fidelidade a condição humana, sem superficialismo, conveniência ou romantismo. O discípulo de Jesus deve ser realista, a fim de evitar ilusões e covardias vergonhosas.

Ser discípulo de Jesus é segui-Lo para uma vida nova e aceitar a revolução que Ele quer fazer em nós desde o nosso desapego às pessoas, da anuência à participação na Sua Cruz e do abandono de tudo o que temos de material e de humano

O seguimento de Jesus implica na renúncia e no desapego das nossas idéias e vontade própria, como também dos nossos bens, ídolos e projetos. Jesus veio mostrar ao mundo uma nova maneira de ser valorizando o homem na sua dignidade, libertando-o de tudo o que possa escravizá-lo e dominá-lo. Para que nós possamos segui-Lo, nós precisamos nos sentir homens e mulheres livres de nós mesmos.

Muitas vezes, nós com a boca, professamos que cremos em Jesus e que desejamos segui-Lo, porém, não fazemos o cálculo de que isto implica em empreendermos uma guerra contra a nossa carne.

Por isso, nós fracassamos nos nossos propósitos. Nós precisamos ter convicção que a nossa opção de cristãos e de cristãs se fundamenta na vivência da mensagem evangélica do amor.

Quem ama é livre das condições, é livre das circunstâncias, é livre das pessoas. Ama, porque ama com o amor de Jesus. A Cruz é decorrente da nossa vivência do amor, porque amar nos traz conseqüências. Não é fácil amar nem tampouco é fácil assumir os encargos que o amor nos propõe.

Sentar-se para “calcular os gastos” e ou “examinar as condições” é entregar-se à ação do Espírito Santo que é quem nos capacita a deixarmos tudo e seguirmos a Jesus Cristo como discípulos seus.

Assim sendo, quando Jesus nos diz “se alguém vem a mim”, Ele quer nos dizer, se “você quer me seguir você deverá viver a lei do amor; você terá que amar como eu amo; viver como eu vivo; sofrer como eu sofro; pensar como eu penso.”

A renúncia maior há de ser do nosso jeito de olhar as coisas, de julgar e de encarar as pessoas, de nos desapegar dos conceitos adquiridos durante a nossa caminhada de vida, conseqüência da nossa criação, cultura etc.

A renuncia a tudo que não combina com o pensamento evangélico e o desapego das coisas e das pessoas, é, portanto, o fundamento para que o reino dos céus viva em nós e Jesus seja o nosso Rei, Senhor e Mestre. Do contrário, estaremos construindo na areia e nunca seremos considerados discípulos e seguidores de Jesus.

Você tem muitos planos? Você já fez os cálculos, do que terá de abdicar para que Jesus seja o seu Mestre? Você é uma pessoa muito arraigada às suas idéias e pensamentos? Você tem procurado amar como Jesus amou? Você tem assumido a sua Cruz?

O seguimento de Jesus é como uma pedra no sapato. Faz-nos parar pelo caminho e examinar o que nos impede de prosseguir. Obriga-nos a pensar se o caminho vale a pena, se é o mais adequado, o ideal. O seguimento de Jesus possui exigências que libertam as pessoas das cargas inúteis e excessivas; apenas que requer e exige absoluta liberdade.

O evangelho de hoje nos recorda as exigências do seguimento. Seguir Jesus pode “mortificar”, causar incômodos, mas, no fundo, que ajuda o discípulo a estar disponível para caminhar com ele. Por isso o mais oportuno é não levar muitos calçados para o caminho, acumulando bens inúteis, nem carregar muitas bolsas, pois o bem maior é Deus. Não precisa levar companhia, porque na comunidade de irmãos encontrará amizade e apoio.

Vendo assim as coisas, o caminho deve ser empreendido na mais completa liberdade, com os braços abertos para ir ao encontro do irmão, e com os pés descalços para estar no mais completo contato com a realidade. Carregar a própria cruz é sinal da aceitação de um caminho que pode conter sofrimento, solidão e morte, mas que, seguindo Jesus, alcança a vida plena.

Propósito:

Pai, reforça minha disposição a ser discípulo de teu Reino, afastando tudo quanto possa abalar a solidez de minha adesão a ti e a teu Filho Jesus.


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