Publicado por: sidnei walter john | 2 de setembro de 2016

Evangelho do dia 3 de setembro sábado


03 setembro – Precisamos ter paciência também conosco mesmos. (S 196). São Jose Marello

3 set Lucas 6, 1-5Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 6,1-5

 Num sábado, Jesus estava atravessando uma plantação de trigo. Os seus discípulos começaram a colher e a debulhar espigas, e a comer os grãos de trigo. Então alguns fariseus perguntaram:
– Por que é que vocês estão fazendo uma coisa que a nossa Lei proíbe fazer no sábado?
Jesus respondeu:
– Vocês não leram o que Davi fez, quando ele e os seus companheiros estavam com fome? Ele entrou na casa de Deus, pegou os pães oferecidos a Deus, comeu e deu também aos seus companheiros. No entanto é contra a nossa Lei alguém comer desses pães; somente os sacerdotes têm o direito de fazer isso.
E Jesus terminou, dizendo:
– O Filho do Homem tem autoridade sobre o sábado.
  

Meditação:

Novamente os fariseus interagem com Jesus e seus discípulos através de um questionamento por seu mau comportamento frente à lei, que proíbe uma série de trabalhos em dia de sábado.

A resposta de Jesus vai em duas direções: primeiro recorre à Tradição, lembrando da ação de Davi que comeu os pães da proposição no Templo.

Na segunda parte da resposta, com conteúdo muito mais teológico, Jesus se apresenta como o Senhor do sábado. Jesus, ao se propor como Senhor do sábado, está abrindo a porta para estabelecer uma nova relação com Deus, que vai mais além do cumprimento da lei. Ele vai até a pessoa e suas circunstancias, como critério dessa nova forma de interação com Deus Pai.

A observância da lei do sábado era a maior instituição do judaísmo, e para isso tinham sido criadas leis extremamente rígidas e pormenorizadas, que proibiam qualquer atividade que se assemelhasse a um trabalho.

Por exemplo, os especialistas interpretavam o gesto de debulhar espigas de trigo como colheita e, portanto, como violação do repouso sabático (6,1-2; Ex 34,21).

Jesus responde à acusação dos adversários recorrendo a um exemplo tirado da Escritura (1 Sm 21,1-6): fugindo do rei Saul, Davi e seus homens entraram no santuário e comeram os pães oferecidos a Deus (os doze pães, renovados a cada sábado, e que só os sacerdotes do santuário podiam comer- Lv 24,5-9).

Esse precedente celebrado na própria Escritura, diz Jesus, mostra que a lei positiva está subordinada ao bem do homem, e que a necessidade de sobreviver está acima de qualquer lei.

É a segunda vez que Jesus se arroga um direito: o Filho do homem, que tem poder para perdoar pecados (5,24), também é “o senhor do sábado” (6,5).

Em outras palavras, Jesus está introduzindo uma nova ordem humano-religiosa, onde as instituições, estruturas, leis e costumes devem estar sempre a serviço do homem, podendo ser abolidos e cair para segundo plano em qualquer circunstância em que uma necessidade urgente o exigir.

“Sábado” provém do hebraico “Shabath”, que significa “repouso, cessão”. Assim, o sábado bíblico nada mais é que um dia de descanso observado a cada sete dias.

Ele na Bíblia se prende ao ritmo sagrado da semana, que se encerra com um dia de repouso e de culto a Deus (Os 2,13; 2Rs 4,23; Is 1,13; Ex 20,8; 23,12; 34,21).

O sábado deveria ser observado por diversas razões: por questões humanitárias (Ex 23,12; Dt 5,12-14), por ser sinal de distinção com relação aos outros povos (Ez 20,12.30; Ex 31,13-17), por ser um dia que não poderia ser profanado pelo trabalho (Ez 22,8) e por ser legislação sacerdotal, já que Deus teria descansado no 7º dia (Gn 1,1-2.4a; Ex 30,8-11; 31,17).

O sábado era um dia festivo (Os 2,13; Is 1,13), no qual não podia haver compras, vendas ou trabalhos no campo (Am 8,5; Ex 34,21). Era também proibido acender fogo (Ex 35,3), recolher lenha (Nm 15,32) e preparar alimentos (Ex 16,23). Até mesmo a guarda do palácio era reduzida (2Rs 11,5-9)…

Os fiéis iam ao santuário (Is 1,12s), após uma convocação santa (Lv 23,3), ofereciam sacrifícios (Nm 28,9-10) e renovavam o pão da proposição (Lv 24,8; 1Cr 9,32) ou simplesmente aguardavam a visita de um profeta (2Rs 4,23).

Após o exílio babilônico, a observância do sábado foi radicalizada: Neemias agiu com energia para garanti-lo (Ne 13,15-22), as viagens foram proibidas (Is 58,13) assim como o transporte de cargas (Jr 17,19-27).

Na época macabéia, a observância era tão cega que muitos se deixaram matar sem oferecer resistência (1Mc 2,37-38; 2Mc 6,11-12; 15,1-2).

Finalmente, na época de Jesus, os fariseus elaboraram verdadeira “casuística” quanto ao sábado: 39 tipos de trabalho eram proibidos (entre eles colher espigas [Mt 12,2], carregar fardos [Jo 5,10] etc).

Os médicos somente podiam atender os doentes em perigo iminente de morte (motivo pelo qual se opuseram a Jesus, que curava aos sábados (Mt 12,9-13; Mc 3,1-5; Lc 6,6-10; 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,1-16; 9,14-16)… os essênios chegaram ao absurdo de proibirem a defecação no sábado!

Já no Novo Testamento, os discípulos observaram o sábado para pregar o evangelho nas sinagogas (At 13,14; 16,13; 17,2; 18,4) logo se deram conta que a Nova Lei havia superado a Antiga.

São Paulo sempre lutou contra a infiltração de idéias judaizantes, sobretudo quando escreve “que ninguém vos critique por questões de alimentos ou bebidas ou de festas, luas novas e sábados. Tudo isto não é mais do que a sombra do que devia vir. A realidade é Cristo.” (Cl 2,16-17; 2Cor 5,17).

Os cristãos, então, passaram a realizar seus cultos no dia seguinte ao sábado, isto é, no domingo, dia em que o Senhor Jesus ressuscitou (aliás “domingo” vem de “domini dies”, isto é, “Dia do Senhor”).

Diversas são as provas bíblicas da observância do domingo: Jo 20,22-23.26; At 2,2; At 20,7-16; 1Cor 16,1-2; Ap 1,10. Repare-se bem que esse era o dia em que os cristãos se reuniam!

Dessa forma, a perspectiva cristã sempre enxergou o antigo sábado dos judeus como uma figura, da mesma forma que outras instituições do AT.

“Pelo repouso do sábado os israelitas comemoravam o repouso (figurado) de Deus após haver criado o mundo e o homem. Ora, com a ressurreição de Cristo, a primeira criação tornou-se prenúncio e figura da segunda criação ou da nova criação do gênero humano que se deu quando Cristo venceu a morte e apareceu como novo Adão.

Era justo, portanto, ou mesmo necessário, que os cristãos passassem a observar, como Dia do Senhor ou como sétimo dia e dia de repouso (sábado), o dia da ressurreição de Cristo”.

A própria carta aos Hebreus acentua a índole figurativa do sábado, afirmando que o repouso do sétimo dia era apenas uma imagem do verdadeiro repouso que fluiremos na presença de Deus (Hb 4,3-11). E você cristão, ainda tem dúvida do porque deves observar os domingos e festas de guarda?

Finalmente Cristo se auto-declarou como “Senhor do Sábado” (tendo, portanto, poder sobre ele); Jesus ressuscitou num domingo; o Espírito Santo veio sobre a Igreja num domingo; os apóstolos se reuniam aos domingos; os cristãos antes do Período Constantiniano (séc. IV) se reuniam aos domingos; os cristão pós-Constantinianos também se reuniam aos domingos; todos os cristãos atuais (católicos, ortodoxos e protestantes – com exceção dos adventistas e batistas do 7º dia) ainda observam o domingo…

Como duvidar que o domingo não foi instituído divinamente? Temos todos os testemunhos que precisávamos: Bíblia, Tradição e Magistério; temos a palavra final: Domingo é o Dia do Senhor!

“Vale mais um domingo, dia em que Cristo ressuscitou, do que todos os sábados sem ressurreição, sem a verdadeira libertação”!

Que a vitória de Cristo sobre o sábado e a morte seja também a minha e a tua sobre o pecado e conseqüentemente sobre a morte para que com Cristo ressuscitemos eternamente!

Reflexão Apostólica:

Lucas nos leva pela mão, no caminhar de Jesus com seus discípulos, às margens do lago da Galiléia, para nos mostrar como o mestre vai instruindo os discípulos para que assumam as novidades do Reino.

Agora o vemos caminhando por um campo de trigo e em dia de sábado; este detalhe oferecido pelo narrador é nossa porta de entrada para compreender o que nos propõe este evangelho.

Como vimos, uma daquelas inúmeras regras seguidas pelos fariseus dizia que um judeu pode comer à vontade na plantação de outra pessoa, contanto que não leve nada para comer em outro lugar.

Outra regra relacionava tudo aquilo que não se podia fazer em dia de sábado. Portanto, comer do trigo alheio não era problema! O problema era fazer isso em dia de sábado!!!

Regras como essas podem parecer absurdas a nós! Mas se pensarmos bem nas pequenas regras absurdas que colocamos na nossa vida… regras estas que nos deixam irritados se não forem seguidas… deveríamos nos sentir envergonhados. Por exemplo:

…ter um lugar reservado à mesa. Ninguém pode ocupá-lo. Mas você pode sentar em qualquer lugar.
…ter talheres, ou um prato, ou um copo, ou roupas, ou qualquer objeto de uso exclusivo. E ai de quem usá-los! Mas você pode usar os de qualquer um.
…não respeitar os horários pré-estabelecidos. Mas exigir que os outros cumpram.
…exigir fidelidade. E não ser fiel.
…querer ser perdoado. Mas nunca perdoar.

A lista seria enorme, mas a essência já deve ter sido entendida: as regras não devem ser aplicadas para prender as pessoas livres. Se todos se amassem, seria fácil, pois não precisaríamos ter regras. Mas como ainda não estamos no paraíso, é preciso estabelecer algumas regras, que deveriam servir apenas de referência para que as pessoas não invadam o espaço (direito) do seu vizinho.

O apelo de hoje é para que você observe com atenção aquilo com que você anda implicando. Será que é algo realmente importante? Ou é uma daquelas regras absurdas dos fariseus?

Liberte-se dessas pequenas prisões que você mesmo criou, e principalmente, liberte as pessoas que você vem prendendo com essas regras… no trabalho, na escola, em casa, entre os amigos… Viva e deixe viver…

Propósito:

Pai, torna-me sensato na prática das exigências religiosas, para eu buscar, em primeiro lugar, o que realmente é do teu agrado e está a serviço da vida, cuja fonte és tu.


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