Publicado por: sidnei walter john | 23 de agosto de 2016

EVANGELHO DO DIA 28 DE AGOSTO – 22º DOMINGO DO TEMPO COMUM


22º DOMINGO DO TEMPO COMUM

28 agosto – Trabalho e boa vontade e o passado nos poderá servir de lição para o futuro. (L 9). São Jose Marello

28 ago Lucas 14, 1.7-14Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 14, 1.7-14

 Num sábado, Jesus entrou na casa de certo líder fariseu para tomar uma refeição. E as pessoas que estavam ali olhavam para Jesus com muita atenção.
Certa vez Jesus estava reparando como os convidados escolhiam os melhores lugares à mesa. Então fez esta comparação: 
– Quando alguém convidá-lo para uma festa de casamento, não sente no melhor lugar. Porque pode ser que alguém mais importante tenha sido convidado. Então quem convidou você e o outro poderá dizer a você: “Dê esse lugar para este aqui.” Aí você ficará envergonhado e terá de sentar-se no último lugar. Pelo contrário, quando você for convidado, sente-se no último lugar. Assim quem o convidou vai dizer a você: “Meu amigo, venha sentar-se aqui num lugar melhor.” E isso será uma grande honra para você diante de todos os convidados. Porque quem se engrandece será humilhado, mas quem se humilha será engrandecido. 
Depois Jesus disse ao homem que o havia convidado: 
– Quando você der um almoço ou um jantar, não convide os seus amigos, nem os seus irmãos, nem os seus parentes, nem os seus vizinhos ricos. Porque certamente eles também o convidarão e assim pagarão a gentileza que você fez. Mas, quando você der uma festa, convide os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos e você será abençoado. Pois eles não poderão pagar o que você fez, mas Deus lhe pagará no dia em que as pessoas que fazem o bem ressuscitarem.
 

Meditação: 

Dentre os quatro evangelistas, Lucas é o único que, por três vezes (Lc 7,36; 11,37; 14,1), menciona refeições de Jesus em casa de fariseus. Esta refeição é ocasião de ensinamentos de Jesus.

Neste contexto, Lucas apresenta duas parábolas, cada uma com destinatário próprio. A primeira é dirigida aos convidados em geral, e a segunda é dirigida ao anfitrião.

Na mesa dos fariseus, há disputa pelos primeiros lugares. Todos os convidados os desejam. É que os primeiros são os honrados! Ocupar os últimos é uma vergonha!

Aquela mesa é um bom reflexo da organização social em que se dá aquela refeição. A mesa dos fariseus está estratificada. São considerados os mais religiosos do povo judeu. Parecia que a desigualdade social era proporcional à devoção dos anfitriões.

Na mesa do reino de Deus, os convidados buscam o último lugar. Somente se sobe mais, se se estiver junto dos últimos. Ninguém chega ao alto se não vier de baixo. A honra na comunidade é precisamente agir segundo esta lógica.

Ao contrário da mesa dos fariseus, na de Jesus, os últimos sobem e os primeiros devem estar dispostos a descer, de maneira a chegar a formar uma mesa em igualdade, onde ninguém fica acima ou abaixo, porque o dono da casa se caracteriza por não discriminar as pessoas (Lc 20,21; Gl 2,6; Cl 3,25; Ef 6,9).

Na mesa dos fariseus, os convidados se convidam reciprocamente. Não há lugar para ninguém que não pertença ao círculo dos mais próximos. É como um clube que se reserva o direito de entrada.

Na mesa do reino de Deus, os convidados são aqueles que não podem corresponder; dessa forma sempre será uma mesa aberta. É uma mesa de últimos que ao mesmo tempo são primeiros. São primeiros no reino de Deus porque são últimos segundo a ordem social. O reino de Deus opta pelos últimos para que sejam os primeiros.

Na Carta aos Hebreus (Hb 12,18-19.22-24), a subida dos últimos tem como fim aproximar-se de Deus, juiz universal, e participar da “assembléia dos primogênitos inscritos”. Esta é uma verdadeira subida espiritual. Agora há uma comunidade de primogênitos (entre iguais) numa nova aliança com Jesus. A carta recorda o “sangue que fala melhor que o de Abel”, derramado no pacto da Nova Aliança. Não é estranho que na subida dos últimos para a solene mesa da igualdade apareça o purificador sangue dos mártires!

O Eclesiástico (Eclo 3,19-21.30-31) inverte também a ordem dos orgulhosos e obstinados. Quem faz “obras com doçura” prefere o caminho dos humildes; isto o torna grande e amado por Deus. O coração do sábio se manifesta ao abrir seu coração para a Palavra com ardente avidez.

O contrário é o caminho dos orgulhosos. Quanto mais elevados estiverem, mais reduzidos estarão. Não há nenhuma cura – diz o Eclesiástico – para a assembléia dos soberbos, pois, sem que o saibam, o caule do pecado se enraíza neles (v. 30). Dessa forma, não há sabedoria possível, pois “o coração obstinado” não aprendeu a viver da palavra de Deus e por ela pautar sua vida.

Todos nós sabemos que é humano o afã de ser, de situar-se, de estar sobre os demais. Parece tão natural conviver com este desejo que o contrario é tido em nossa sociedade como uma “idiotice”. Quem não aspira a ser mias, quem não se situa por cima dos demais, quem não se sobrepõe, é tachado, às vezes, de “tonto” neste mundo tão competitivo.

Em nossa sociedade existe um complexo sistema de normas de protocolo pelas quais cada um deve se situar nela segundo sua valia. Nos atos públicos, as autoridades civis ou religiosas ocupam um ou outro lugar de segundo escalão, observando uma rigorosa hierarquia nos postos. Há um costume tão arraigado a tais regras que parece normal este comportamento hierarquizado.

Jesus acaba com este tipo de protocolo, convidando à sensatez e ao sentido comum os seus seguidores. É melhor quando se é convidado não situar-se no primeiro lugar, e sim no último, até que chegue o chefe do protocolo e coloque a cada um em seu lugar. O conselho de Jesus deve converter-se na prática habitual do cristão.

O lugar do discípulo, do seguidor de Jesus é, por livre eleição, o último lugar. Lição magistral do evangelho que não se costuma colocar em prática com freqüência. Ninguém deve ter preferência, ou posto marcado, os outros é devem nos oferecer o posto que merecemos; ao contrário, nunca se deve ocupar um lugar de destaque por própria vontade.

Não somente não dar-se importância, mas agir sempre desinteressadamente. Jesus denuncia a prática daqueles que retribuem aos convites recebidos, denuncia também o “dou para que me dês”, do “te dou para que me dês” e anima a convidar os pobres, os excluídos, os coxos e cegos, pessoas que ninguém convida, quando se oferece um banquete; quem age assim será ditoso, porque não terá recompensa humana, mas divina “quando ressuscitem os justos”.

As palavras de Jesus, no evangelho de hoje, são um convite à generosidade que não busca ser compensada, ao desinteresse, ao celebrar a festa com quem ninguém a celebra e com aqueles dos quais não se pode esperar nada.

Reflexão Apostólica:

Como vimos, o evangelho de hoje se desenvolve na casa de um dos chefes dos fariseus. É importante nos determos no lugar, “ver” os outros convidados, amigos do dono da casa, a maioria deles não muito bem intencionados.

Nesse ambiente, Jesus se move com total liberdade para chamar a atenção sobre certas atitudes que considera erradas e apontar o caminho certo.

Não podemos esquecer que nosso Mestre é um mero convidado, mas não é conivente com uma situação de auto-suficiência e orgulho. E a casa do fariseu é lugar de anúncio dos valores do reino.

Desta maneira, o evangelista Lucas mostra como a missão de Jesus, e por conseqüência a de seus seguidores/as, não fica reduzida aos muros do Templo, senão que qualquer lugar é propicio para evangelizar.

Jesus conta então duas parábolas, as duas referentes a um banquete. A vida é um banquete para o qual todos os seres humanos são convidados a participar com igualdade de condições e honras.

Nesse banquete, da vida o lugar do discípulo de Jesus é o último, ou seja, o lugar do servidor/a. Nosso mestre mesmo diz: Eu vim para servir e não para ser servido. Ele por amor a nós se faz servo (Jo 13,12-17) e nos convida a fazer o mesmo.

Uma das características dos servidores do banquete da vida, do Reino, é a humildade, que é contrária à auto-suficiência. Ser humilde é reconhecer a pequenez do ser humano, necessitado da força de Deus para viver e servir no banquete da vida.

Na primeira parábola, isso fica bem claro, é o dono da casa quem diz: “Amigo, venha mais para cima”. Não é pelos nossos méritos nem pelas nossas obras, senão pela graça de Deus que somos reconhecidos e até exaltados.

É o caminho que o mesmo Jesus percorre, faz-se servo por amor até a morte de cruz e é exaltado pelo Pai, como canta o hino de Paulo ao filipenses (Flp 2,7-11).

A segunda parábola que Jesus dirige ao próprio fariseu ecoa até os dias de hoje. Ela proclama a gratuidade com estilo de vida.

Aqui está uma das regras de ouro dos discípulos de Jesus, servir a todos, sem exclusão, mais ainda prestar maior atenção aos “pobres, aleijados, mancos e cegos”.

Olhando ao nosso redor, os pobres, aleijados, mancos e cegos são aqueles que por diferentes razões já não contam para a sociedade porque não servem segundo a lei do mercado. Não podem contribuir para seu crescimento econômico, para o qual não existem!

São eles, ou deveriam ser eles, os primeiros destinatários da ação dos cristãos/ãs, por meio da qual se luta para que ninguém fique excluído do banquete da vida e possa vivê-la com dignidade.

Quanto ainda fica por fazer! A realidade na qual vivemos é um apelo à nossa generosidade e gratuidade para fazer deste mundo a verdadeira casa de todos os filhos de Deus.

O banquete aos pobres é o assumir a sua causa, promover a sua libertação e a restauração de sua dignidade. É a partilha do banquete eucarístico, em comunhão com Jesus.

Jesus nos adverte a não buscar recompensa agora, a não esperar o reconhecimento ou retribuição de ninguém. Unamos-nos gratuitamente ao trabalho de Deus (Jo 5,17), e Deus mesmo se encarregará de “premiar-nos”: ali onde eu estarei, estará meu servidor (Jo 12, 26).

Vejam como a liturgia é interessante… nas últimas semanas o tema principal foi o Reino dos Céus, e ontem mesmo refletimos sobre como serão bem recompensados aqueles que fizerem render os seus talentos. Hoje, todas as leituras falam sobre HUMILDADE. A primeira leitura (Eclo 3,19-21.30-31)  exalta os humildes, que fazem o seu trabalho com mansidão. O versículo 20 diz: “Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim encontrarás graça diante do Senhor

Hoje temos que conviver com um mal muito comum, chamado “Síndrome do Pequeno Poder”. Essa síndrome não está escrita em nenhum manual de Psicologia nem de Psiquiatria, mas observem se vocês reconhecem esses sintomas…

Já viram aquela pessoa que ocupa um cargo no trabalho, na escola, na universidade, ou até mesmo na igreja, e que se acha no direito de mandar e desmandar, que todos devem tratá-la com reverência, para merecerem o “favor” de serem atendidos por ela. E ao fazerem qualquer coisa por alguém, fazem de forma como se aquele alguém passasse a lhe dever um “favor”!

Aquela pessoa que impõe uma autoridade forçada, e se sente bem ao apontar os erros e defeitos dos outros… E ao mesmo tempo, se acham melhores, mais justas, e às vezes até mais humildes!

Todos esses sintomas são típicos de quem se sente inseguro. É um mecanismo de defesa para que as outras pessoas acreditem que ele é importante. É difícil conviver com pessoas assim, pois elas têm uma necessidade patológica de auto-afirmação. E o pior é que não percebem, ou não querem perceber… o que torna difícil uma melhora…

Assim eram os fariseus… Com toda a arrogância que lhes caracterizava, sentavam-se às primeiras cadeiras da festa. Quando Jesus percebeu, orientou-os a procurarem os últimos lugares da festa, para serem chamados, pelo dono da festa, a irem mais para perto dele; ao invés de terem que passar pela vergonha de ter que ceder o lugar para alguém mais importante.

Jesus ensinava pelo exemplo. Ele se fazia AMIGO dos seus discípulos. Não precisava de autoritarismo, pois estabeleceu uma relação de respeito mútuo, na qual os discípulos não se sentiam obrigados a nada, nem se sentiam em dívida com Ele… Jesus era o Mestre e Senhor, mas se fazia igual a eles…

Assim devemos ser: quanto maior o cargo que ocupamos, mais acessíveis. É sempre bom, por exemplo, nos lembramos dos professores que tivemos, e que se mostravam acessíveis… Eles foram, sem dúvida alguma, os melhores professores, pois ensinaram além do conteúdo dos livros. Ensinaram a viver… Daí a razão de que QUANTO MAIS ADMIRAMOS UMA PESSOA, MAIS ESCUTAMOS O QUE ELA TEM A DIZER…

Portanto, que nada seja motivo para nos sentirmos superiores, mas que usemos nossa influência para nos colocarmos a serviço de quem nos admira, e de quem precisa de nós

Hoje Jesus nos ensina que devemos ser humildes, e dar sem esperar recompensa. Então, quando fizermos algo por alguém, que tomemos cuidado para que esse alguém não se sinta em dívida conosco, pois como já dizia o saudoso Padre Léo:: “cada vez que recebemos a recompensa dos nossos atos aqui na terra, deixamos de receber a recompensa de Deus nos Céus”…

Propósito:

Espírito que conduz ao amor dos mais pobres, abre meu coração para acolher os deserdados deste mundo, pois eles têm a primazia no coração do Pai.

Que importa, que ao chegar
eu nem pareça pássaro!
Que importa se ao chegar
venha me rebentando
caindo aos pedaços, sem aprumo
e sem beleza!…
Fundamental
é cumprir a missão
e cumpri-la  até o fim!…

Dom Helder Câmara.


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