Publicado por: sidnei walter john | 21 de agosto de 2016

Evangelho do dia 23 de agosto terça feira


23 agosto – Antes de mais nada, se quisermos possuir a potência e a fortaleza necessárias para o nosso propósito, deveremos buscar a nossa força no Céu. (L 9). São Jose Marello

23 ago Mateus 13,44-46Mateus 13,44-46

 “– O Reino do Céu é como um tesouro escondido num campo, que certo homem acha e esconde de novo. Fica tão feliz, que vende tudo o que tem, e depois volta, e compra o campo.
– O Reino do Céu é também como um comerciante que anda procurando pérolas finas. Quando encontra uma pérola que é mesmo de grande valor, ele vai, vende tudo o que tem e compra a pérola.
” 

 Meditação: 

(…) O Evangelho de hoje nos mostra a parábola na qual Jesus compara o Reino de Deus com um tesouro e com uma pérola. A comparação com o tesouro nos mostra o valor que o Reino de Deus deve ter nas nossas vidas, um valor que não pode ser superado por nenhum outro valor deste mundo. A pérola nos mostra a preciosidade inigualável que é o Reino de Deus para todas as pessoas. E tanto o valor como a preciosidade do Reino de Deus significam que todas as outras coisas perdem sua importância diante dele e só têm sentido enquanto contribuem para que o homem possa chegar até Deus”. (CNBB)

Mateus, depois de reunir em seu evangelho um conjunto de narrativas relativas à manifestação do Reino dos Céus, apresenta um bloco de sete parábolas elucidativas sobre este Reino. As duas curtas parábolas de hoje são umas das últimas deste bloco.

As parábolas são ditos sapienciais que, a partir de cenas da vida comum, esclarecem os discípulos sobre a realidade do Reino dos Céus.

Estas cenas às vezes giram em torno de valores mundanos, nem sempre dignificantes, porém a parábola induz à compreensão de que estes valores devem ser abandonados em vista da conquista do bem maior que é o Reino dos Céus.

O evangelho de hoje nos traz duas breves parábolas do Discurso das Parábolas. As duas são semelhantes entre si, mas com diferenças significativas para esclarecer melhor determinados aspectos do Mistério do Reino que as parábolas estão revelando.

Partilho alguns pontos daquilo que descobri:

(a) Trata-se de um comprador de perolas. A profissão dele é procurar pérolas. Só faz isso em sua vida: procura e comercializa pérolas; Procurando, encontra uma pérola de grande valor. Aqui a descoberta do Reino não acontece por acaso, mas fruto de uma longa procura. 3

(b) O comerciante de pérolas conhece o valor delas, porque muitas pessoas devem ter procurado lhe vender as pérolas que encontram. Mas o comerciante não se deixa enganar. Ele conhece o valor de sua mercadoria.

(c) Quando encontra uma pérola de grande valor, vai e vende tudo o que possui e compra a pérola. O Reino é o valor maior.

Resumindo, o ensino das duas parábolas tem o mesmo objetivo: revelar a presença do Reino, mas cada uma o revela de seu jeito: através da descoberta da gratuidade da ação de Deus em nós, e através do esforço e a busca que todo ser humano faz para descobrir sempre e cada vez melhor o sentido de sua vida.

Nestas duas parábolas, a ambição leva alguém que encontrou um tesouro escondido em um campo a, ardilosamente, comprar este campo, tirando vantagem sobre seu antigo proprietário.

De maneira semelhante temos aquele que encontra a pérola de grande valor, certamente sem que o dono o tenha percebido, e a compra. A parábola sugere que o grande tesouro é o Reino dos Céus pelo qual tudo deve ser trocado.

O Reino dos Céus do qual fala o evangelho não é uma aposta de que se vai ganhar alguma coisa no futuro, não é um investimento em longo prazo, nem uma bolsa de apostas, mas é uma certeza e esperança que Jesus Cristo nos trouxe, antes de Jesus a Salvação era uma grande aventura, ninguém garantia nada, e a gente não sabia se arriscava tudo pelo Reino, ou se era melhor ser comedido e apostar pouco.

O bem mais precioso que temos é o dom da Vida, não há nenhuma fortuna que possa comprá-lo, Jesus deu tudo de si, seu Bem mais precioso, sua própria vida, porque sabia que o Reino de Deus era uma certeza…

Certamente muita gente achou o homem meio doido, quando o viu abrindo mão de todos os seus bens patrimoniais para comprar o terreno, eles não sabiam do tesouro.

Hoje o Reino de Deus inaugurado por Jesus, precisa de pessoas arrojadas, corajosas, que ousam investir toda sua vida na construção do Reino, não faltará quem o ache maluco e sem juízo, mas a alegria de saber que já termos o Reino em nós, é algo inexplicável, o evangelho faz questão de dizer que este homem, cheio de alegria, vendeu tudo o que tinha….Será que a nossa “doação”pelo Reino de Deus, é sempre feita com alegria, ou nos doamos com certa reserva, porque ainda não temos certeza se o Reino virá a acontecer? A segunda parábola só muda de lugar, em vez do campo é na cidade que se negocia pérolas preciosas, mas o sentido e ensinamento é o mesmo….

Concluindo: Deus não quer que sejamos pobres sem dignidade, ao contrário, o trabalho traz frutos para uma sobrevivência digna e honesta.

O Reino é daqueles que têm tudo sem se apegar a nada, dos que são felizes simplesmente porque acordam, dos que amam incondicionalmente, dos que são fortes para proteger os mais fracos, dos que sabem dividir e partilhar.

Quando renunciamos a um bem passageiro não significa que estamos nos esvaziando e enfraquecendo, ao contrário, toda vez que nos desfazemos de um bem material nos fortalecemos e conquistamos jóias espirituais que vão garantindo nosso lugar no Reino de Deus. É como se estivéssemos comprando pequenas jóias para serem guardadas num tesouro que garantirá a subsistência na vida eterna.

Nossa maior riqueza, portanto, não são ouro e nem prata, mas gestos de caridade e amor fraternos que conquistam o Reino através da conquista de novos corações.

Os santos, como Rosa de Lima, cujo nome de batismo era Isabel de Oliva, celebrada hoje, se caracterizam pela opção fundamental pelo seguimento de Jesus, cumprindo o projeto vivificante de Deus. Paulo, apóstolo, o exprime com a expressão: “o que era para mim lucro eu considerei perda, por amor de Cristo” (Fl 3,7)

Reflexão Apostólica:

Hoje em dia quando se fala em tesouro a gente não faz muita idéia, mas se falar de Fortuna, riqueza, valor patrimonial e monetário é linguagem que todo mundo entende.

Quem é que já não fez a sua “Fezinha” em uma Casa Lotérica pensando em ganhar uma fortuna, como uma Mega Sena acumulada em algumas rodadas? Quem é que já não vislumbrou essa possibilidade e “carregou” um pouco mais em sua aposta, fazendo talvez um bolão com os amigos?

A idéia de sair de um salário irrisório para administrar uma bela fortuna, morando em uma mansão, com mais de três carrões do ano na garagem, viajar de jatinho para qualquer parte do mundo, enfim, nunca mais passar “aperto” com pagamento de contas, é uma idéia muito tentadora e eu não vejo maldade nisso, o problema é: até que ponto acreditamos que vamos ser os vencedores….

Então a gente aposta sim, mas de leve, sem comprometer o orçamento doméstico, senão já se está fazendo uma grande besteira, porque não há nenhuma certeza de que vamos ganhar e as possibilidades são mínimas….quase irrisórias….

Bem diferente desse homem que encontrou um tesouro, tornou a enterrá-lo e foi para casa tomado pela alegria de ser dono do tesouro encontrado, e começou a desfazer-se de seus bens captando recursos para comprar o terreno onde estava o tesouro, que ninguém sabia a não ser ele….

Afinal, qual é o tesouro?

Quem realmente já se sentiu tocado por Deus? Convido a recordar essa boa lembrança e buscar na memória o que aconteceu e como Deus agiu. Como foi que eu fiquei? Como me senti? Quanto tempo durou? Chorei? Todos ao meu redor notaram? Testemunhei? Agradeci? Permaneci depois?

Madre Tereza nos deixou grandes ensinamentos não só com palavras, mas com sua vida e alguns dos seus pensamentos assemelham-se tanto com a filosofia do homem de Nazaré que profundamente acredito que ela encontrou um tesouro no campo. É atribuída a ela uma frase que diz: “(…) Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz“. (Madre Tereza de Calcutá)

Um parentese: Se não soubéssemos que essa frase é dela, poderíamos acreditar que era e ainda é a própria forma de viver de Jesus. “(…) Os fiéis leigos são chamados a exercer a sua missão profética, que deriva diretamente do batismo, e testemunhar o Evangelho na vida diária onde quer que se encontrem”. (Verbum Domini § 94)

Todos aqueles que têm um encontro com o divino não conseguem esconder a transformação que é gerada em seu semblante. Milagres e curas são operados, mas as grandes transformações de fato acontecem em algo chamado BEM ESTAR. Ninguém que encontra com Jesus volta sem a paz. A paz que o apóstolo dos gentios diz que ninguém consegue explicar

A presença da Paz interior é a declaração clara que Jesus caminha intimamente conosco. A promessa feita a Jeremias deixa claro o desejo de caminhar junto, de potencializar nossos dons em prol dos irmãos e mais que isso, revelar sua face

É preciso notar que nesse último trecho fica explicito que essa paz precisa ser procurada individualmente e que todos os nossos esforços em apresentar essa paz as pessoas precisam respeitar o livre arbítrio das pessoas de aceitar ou não, mas não podemos desistir de, como Madre Tereza, em fazer pelo menos com que os que nos cercam , saiam melhores do quando chegaram.

Quanto aos tesouros…

Notamos que uma grande parcela dos pedidos feitos nos grupos de oração e caixinhas de oração espalhadas por nossas paróquias caem justamente nesse contexto. Pedimos a conversão de nossos maridos, esposas, juízo para nossos filhos (as), paz em nossa casa, (…). Buscamos geralmente o que é mais precioso. Os gananciosos que se encantam com as pérolas de menor valor.

Cada um precisa com esmero e esforço próprio encontrar o tesouro e não se enganar com as bijuterias espalhadas pelo campo. Lembremo-nos do Joio e do trigo! Quem já o encontrou precisa se empenhar com todo coração, de toda sua alma e toda sua força para permanecer pelo menos com a paz, pois como diz a palavra, já não somos mais crianças levadas pelo que é passageiro.

Quem não conhece o diamante bruto o joga fora com os cascalhos. Um bom garimpeiro sabe bem diferenciar, apenas com os olhos, o brilho do que é precioso e esta encoberto.

A pedra mais preciosa de Deus é a sua criatura. Valorize e dê o devido valor a ela!


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