Publicado por: sidnei walter john | 15 de agosto de 2016

Evangelho do dia 17 de agosto quarta feira


17 agosto – Saber coordenar todos os nossos pensamentos, todos os nossos afetos, todas as nossas energias numa ideia fixa: viver nessa ideia, apaixonarmo-nos por ela, sublimarmonos nela. (L 9). São Jose Marello

17 agos mateus 20, 1-16Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus 20,1-16a

O Reino dos Céus é como o proprietário que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. Combinou com os trabalhadores a diária e os mandou para a vinha. Em plena manhã, saiu de novo… Ao meio-dia e em plena tarde, ele saiu novamente e fez a mesma coisa. Saindo outra vez pelo fim da tarde, encontrou outros que estavam na praça e lhes disse: ‘Por que estais aí o dia inteiro desocupados’?. Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. E ele lhes disse: ‘Ide vós também para a minha vinha’. Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao administrador: ‘Chama os trabalhadores e faze o pagamento começando pelos últimos até os primeiros!’ Vieram os que tinham sido contratados no final da tarde, cada qual recebendo a diária. Em seguida, vieram os que foram contratados primeiro… cada um deles também recebeu apenas a diária… começaram a murmurar contra o proprietário… Então, ele respondeu a um deles: ‘Companheiro, não estou sendo injusto contigo. Não combinamos a diária? Toma o que é teu e vai! Eu quero dar a este último o mesmo que dei a ti… Assim, os últimos serão os primeiros.  

Meditação:

A parábola de hoje visa as comunidades de Mateus. Aos seus discípulos judeo-cristãos, carregados com observâncias tradicionais, é proposto que aceitem o convívio com os discípulos de Jesus convertidos do mundo gentílico aos quais nada é imposto da parte das tradições do judaísmo.

Os convertidos do judaísmo (trabalhadores do dia inteiro), com um longo tempo de tradição, estão em pé de igualdade com os convertidos do mundo gentílico (trabalhadores do fim do dia) sem aquela tradição. Estes últimos, com fé em Jesus, aderiram prontamente ao seu chamado.

Esta parábola nasce da realidade agrícola do povo da Galiléia. Era uma região rica, de terra boa, – mas com o seu povo empobrecido, pois as terras estavam nas mãos de poucos, e a maioria trabalhava ou como arrendatários ou como “bóia-fria” como diríamos hoje.

Embora a cena situe-se na Galiléia de dois mil anos atrás, bem poderia ser o Brasil da atualidade. Apresenta uma situação de trabalhadores braçais desempregados, não por querer, mas “porque ninguém nos contratou” (v.7).

Talvez haja uma diferença, comparando com a situação de hoje – na parábola, o salário combinado era uma moeda de prata, um denário, que na época era o suficiente para o sustento diário duma família – o que nem sempre se verifica hoje.

O dono de uma vinha chamou trabalhadores para a colheita. A uns chamou pela manhã, outros ao longo do dia e outros, ainda, no fim do dia. A todos, compromete-se com o mesmo pagamento. Naturalmente, aqueles que começaram a trabalhar ainda cedo reclamaram ao patrão por ter recebido o mesmo montante dos outros que trabalharam apenas uma pequena parte do dia.

Para o patrão, porém, está feita justiça: pagou a todos conforme o combinado e, ademais, dispôs daquilo que é seu. Se, aos olhos do empregado que se considera lesado aquilo era injusto, ao patrão foi apenas um acerto de contas equânime, dentro dos limites que tinha estabelecido.

Muitas vezes assumimos o papel dos trabalhadores que reclamam por ter trabalhado tanto enquanto outros que não sofreram as mesmas penas recebem a mesma recompensa.

Assim o é na vida civil e na vida cristã. Mas, para Deus, não importa o “tempo de casa” ou aquilo tudo que já demos: importa com que amor o demos, com que dedicação o fizemos. Além disso, o Senhor nos dá a Sua graça e esta Ele dispõe como deseja.

Essa é a aparente contradição: a perspectiva humana entende que o pagamento deve ser correspondente ao tempo ou à responsabilidade do trabalho. Deus, não. Ele entende que pode dispor do que é seu e dá a cada um como considera o seu merecimento.

O texto nos ensina que a lógica do Reino não é a lógica da sociedade vigente. Na nossa sociedade, uma pessoa vale pelo que produz – logo, quem não produz não tem valor. Assim se faz pouco caso do idoso, aposentado, doente, excepcional. Na parábola, o patrão (símbolo do Pai) usa como critério de pagamento, não a produção, mas o sustento da vida – também o trabalhador da última hora precisa sustentar a família, e por isso recebe o valor suficiente, um denário.

O Reino tem outros valores do que a sociedade do nosso tempo – a vida é o critério, não a produção. Por isso, quem procura vivenciar os valores do Reino estará na contramão da sociedade dominante.

O texto nos convida a imitar o Pai do Céu, lutando por novas relações na sociedade e no trabalho, baseadas no valor da vida, não na produção e consumo. Para a comunidade de Mateus, a parábola tinha mais um sentido. Começavam a entrar pagãos na comunidade, e muitos cristãos de origem judaica tinham dificuldade em aceitá-los em pé de igualdade – eram “da última hora”.

Mateus conta a parábola para ensiná-los que no Reino, experimentado através da comunidade, não pode haver discriminação entre cristãos de várias origens, por isso “os últimos serão os primeiros”.

O critério é a gratuidade de Deus Pai, pois tudo o que temos, recebemos dele, e sendo todos filhos e filhas amados dele, a comunidade cristã não pode discriminar pessoas, por qualquer motivo que seja.

O Senhor está sempre a nos convocar para fazer parte do seu reino. Enquanto aqui vivemos seremos a cada instante convidados para entrarmos em sintonia com o reino dos céus.

Feliz de quem atende ao chamado do Senhor logo cedo na vida, pois usufruirá de tudo quanto Ele providenciou para que tenhamos uma qualidade de vida melhor. Quando nós aceitamos o convite de Jesus para entrar no Seu reino, tendo-o como Rei e Senhor da nossa vida, nós também nos tornamos

Seus colaboradores para atrair outros que ainda estão vagando no mundo e não encontraram ainda a verdadeira felicidade porque não abraçaram a salvação de Jesus.

A recompensa é a salvação e o Senhor a promete a todos àqueles que a acolherem. Seja em qualquer hora da nossa vida, até na hora da nossa morte nós teremos a chance de ganhar o prêmio da vida eterna.

É pela bondade e misericórdia do Pai que nos enviou Jesus Cristo que nós somos salvos. Portanto, não façamos questão para sermos os primeiros ou os últimos, o mais importante é que já estamos dentro do redil do reino de Deus.

Você já aceitou o convite para trabalhar na vinha do Senhor? Qual é a recompensa que você espera? Você se incomoda se outros também receberem a mesma recompensa que você espera? Você deseja que muitos entrem também com você no reino de Deus? O que você tem feito para que isto aconteça?

Reflexão Apostólica:

Neste Evangelho, Jesus retoma as parábolas, para revelar com uma imagem viva e concreta, a partir de uma experiência de vida, a riqueza infinita do amor do Pai: Deus é Amor.

É aqui que se concentra todo o significado daquele patrão que “saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha…”, sinal da solicitude de Deus, que não agüenta esperar que os filhos que estão afastados voltem (Lc 15), ele mesmo os procura, chama-os, e os envolve no seu projeto de vida: a salvação eterna, que é a comunhão feliz com ele.

É este o trabalho que o Senhor oferece em troca de uma simbólica moeda de prata, que será dada, não com base às efetivas horas de trabalho, contadas a partir de um relógio, mas pela intensidade de fé com a qual, também a pessoa mais afastada se dirige a ele.

À primeira vista, a parábola parece ser desconcertante; de fato, segundo a nossa comum medida de justiça, seria impensável que a retribuição pelo trabalho seja idêntica, para quem tiver trabalhado uma hora ou poucas horas, e para quem tiver completado as suas oito horas, quem sabe, até algumas horas extras.

Dar a cada um o seu, é o princípio mais elementar da justiça distributiva, que obviamente, Jesus não rejeita; porém, ele mostra que há uma justiça mais alta, com finalidades bem maiores daquelas exclusivamente temporais, e é a justiça que regula a nossa relação com o nosso Deus e Pai, e diz respeito ao fim último da existência humana, que não se acaba com a morte, mas caminha para a eternidade, onde não há limites, e não pode ser avaliada em termos econômicos, como uma moeda de prata ou dez mil talentos.

A chave interpretativa da parábola é esta verdade, proclamada por Cristo, verdade que supera toda lógica puramente humana.

Há uma causa bem maior, pela qual o homem é chamado a colocar em jogo a sua vida, que é a causa da salvação, que vem de Deus, um dom de misericórdia, para ser acolhido com humildade e fé; para ser vivido com empenho, e que, na sua dinâmica mais profunda, foge ao nosso pensamento, porque é determinada pela lógica insondável do amor de Deus, que é Pai, e que não quer que ninguém se perca.

Deus é rico de misericórdia, como nos diz o profeta Isaías, já na I leitura; ele nos apresenta um Deus que por amor, revira toda lógica humana para realizar uma outra bem superior: “abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações, volte para o Senhor que terá piedade dele; volte para nosso Deus que é generoso no perdão. Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos e vossos caminhos não são como os meus caminhos. Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos quanto o céu está acima da terra”.

É nessa lógica que devemos interpretar a parábola. O patrão sai de casa para procurar trabalhadores, para envolvê-los no seu projeto, quantos não o conhecem, por causa diversas, ou porque são indiferentes. Ele sai em diferentes horas do dia, inclusive na última hora útil: lá pelas cinco da tarde.

É a busca que Deus faz do homem, destinado a salvação, é uma busca apaixonada, freqüente, incansável. Um busca que terminou por enviar entre nós, Jesus Cristo, o nosso bom pastor que dá a vida pelo seu rebanho.

O tempo de Deus não é como o tempo do homem, porque a justiça de Deus é uma justiça que é unida ao amor: o amor que salva, e o cálculo de Deus está no amor.

De fato, aquele trabalhador que reclamava dizendo ter sido injustiçado, recebe a seguinte resposta: “por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja porque estou sendo bom?”

Para ilustrar, lembremos do malfeitor que estava junto da cruz de Jesus e foi salvo por ele: um trabalhador de última hora. “Ainda hoje estarás comigo no paraíso”.

O hoje de Deus é um hoje de fé e de amor que não segue os ponteiros do relógio, mas a intensidade do desejo, que nasce do coração que acolhe com humilde reconhecimento o dom da graça.

Talvez não sejamos trabalhadores de última hora; mas, neste caso, o Evangelho nos chama a atenção para não nos distrairmos, o Senhor repetidamente nos chama a uma vida mais intensa de comunhão e de amor, a um testemunho mais coerente, claro e decisivo de Cristo.

Jesus hoje vem nos ensinar através de uma parábola que Deus quer dar o Reino dos Céus a todos. Hoje precisamos aprender que o Reino dos Céus não é apenas salário daqueles que construíram e constroem uma história dentro da Igreja, nos movimentos, nas paróquias, mas é riqueza que Deus quer dar a todos.

Se não fosse assim, com certeza os Profetas e Santos teriam mais privilégios no Reino dos Céus do que nós, que pouco ou nada fazemos pelo Reino de Deus.

É preciso que nós, como cristãos construtores deste Reino, nos alegremos com aquele que chega depois de nós. É preciso se alegrar com a conquista do outro.

É assim Deus quer que aconteça: que não cobremos mais “moedas de pratas” em relação aqueles que começaram depois de nós, precisamos sim ajudar a quem chega depois a construir em suas vidas o Reino dos Céus, e assim o Reino dos Céus deixa de ser um salário de nossas obras, mas se torna o Sonho de Deus realizado e partilhado igualmente em nossas vidas.

Precisamos estar juntos nesta batalha que é a revolução que Jesus nos propõe. Vamos trabalhar na vinha do Senhor, os mais velhos, os mais jovens, vamos juntos construir o Reino dos Céus aqui na terra.

Propósito:

Pai, que eu jamais me deixe levar pelo espírito de ambição e de rivalidade, convencido de que, no Reino, somos todos iguais, teus filhos.


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